Esta é a primeira peça de muitas que serão levadas pela turma daqui de Guarulhos. Sempre que puder estarei dando essa dica aqui. Não perca este espetáculo. É um musical com a turma da Escola Viva de Artes Cênicas, da qual eu também faço parte.
Confira os dias e horários e venha!
Desculpe, São Paulo.

Parabéns, São Paulo...
São Paulo que verdadeiramente eu amo.
O corre-corre, essa mistura de raças, de sotaques, de credos. Essa pressa de viver e de morrer. Sangues e amores, aristocracia e miséria, pratos, doces.
São Paulo do meu Corinthians, um time que nasceu à luz de lampião no no bairro Bom Retiro .
O Pacaembú, o Morumbí.O largo São Francisco da Faculdade onde estudou o baiano Castro Alves. A esquina que o outro poeta baiano - Caetano - cantou. A favela. A periferia. A Paulista, A Luz.O Brás.
O Jaçanã... - aquele Jaçanã do trem das 11. - Ah! Adoniran, quanta saudade de quando você ia receber seus direitos autorais lá na Quintino Bocaiuva e depois sentava na Relojoaria Regina tirava o chapéu, e começava um papo sempre da mesma maneira;- Dá um cigarro aí, moleque.- Pois é, velho, hoje eu larguei o cigarro e você a vida. A sua benção paulistana aí do céu!
A Sé. Rua Direita, o mercado, o Tietê (que dó), Ibirapuera, Jardins, o MASP, o Arena...
Tantos cantinhos desta cidade por falar, mas hoje, um especial há de ser lembrado. Onde tudo começou. O Páteo do Colégio.
Um dia me sentei lá num banco, olhei aquele muro comido por quatrocentos e tantos anos e fiquei imaginando os indios e os jesuitas ali, trabalhando arduamente, colocando pedra por pedra, cercados por um imenso verde, próximo daquele vale.
Indios e padres. E uma imensidâo verde.
Ouviam pássaros e o vento. Catavam estrelas com as mãos.As mesmas mãos que carregavam as pedras e cortavam as árvores para construir uma pequena igreja.
Eles não sabiam que ali, com suas mãos estavam iniciando uma das maiores metrópoles do mundo! Eles não sabiam que estavam ali em poucas pessoas, preparando a vida de milhôes outras de pessoas que pisariam aquele mesmo solo nos próximos séculos. O solo sagrado de São Paulo de Piratininga, onde eu nasci, vivi e certamente vou morrer. Mas enquanto vivo, vou aqui morrendo de amores por esta terra cinzentamente linda, da garoa e do trabalho.
![]()
Pouca gente sabe...Mas o Sinaleiro Amarelo nasceu num dos cruzamentos desta cidade. Tudo começou assim:
"O motivo? O sinaleiro estava amarelo e eu parei o carro. Era manhã de segunda feira Eu olhei para frente e o sinaleiro estava mudando do verde para o amarelo. O guarda que comanda o trânsito na esquina da Prestes Maia com a Senador Queiróz estava com um "jeitão" todo especial.
O talão de multas não estava na sua mão e ele estava com cara de bons amigos.
Eu passaria tranqüilamente com o sinaleiro amarelo, sem maiores conseqüências, mas eu resolvi parar. Era cedo ainda e a música da FM era tranqüila... um programa matinal de música erudita que estava apresentando um recital de cravo.
A musica me transmitia paz interior e por esse motivo, eu não ia pisar no acelerador do carro como um doido varrido somente para ganhar uns minutinhos.
...Pelo meu lado direito aproximou-se então um negrinho com um baldinho de água e um rodinho para "limpar" o pára-brisas.
Eu odeio negrinhos de baldinhos e rodinhos limpando pára-brisas do meu carro na esquina da Prestes Maia com a Senador Queiroz. Não que eu tenha algo contra os negrinhos, não ! Se fosse um branquinho, eu odiaria um branquinho de baldinho e rodinho
limpando o meu pára-brisas na esquina da Prestes Maia com a Senador ou em qualquer droga de esquina da cidade. Também não é pela gorjeta que teria que dar. Não. É claro que não!
Mas é que a água e o rodinho estão tão sujos que quando a água seca, o pára-brisas do carro fica todo marcado e seboso.
Eu não consigo andar com o pára-brisas do carro marcado e seboso!!!
Então o que acontece é que além da gorjeta eu sou obrigado a deixar o carro no posto para lavar por causa do maldito baldinho, da maldita água suja e do maldito rodinho!
E todas as vezes que eu preciso deixar o carro no posto eu fico nervoso. Quer saber por que?"
Você acaba de ler trechos do livro - O Sinaleiro Amarelo e outras rabularias - publicado em 1999, e que em janeiro de 2003 daria o nome a este blog. O livro nesse trecho, conta uma cena típica da cidade de São Paulo.
© Nelson Natalino - janeiro 2004