julho 31, 2008
Sobre a Internacionalização da Amazônia

3.5-5 - A PRIMEIRA RESERVA INTERNACIONAL DA FLORESTA AMAZÔNICA
Desde meados dos anos 80 a mais importante floresta do mundo passou a ser responsabilidade dos Estados Unidos e das Nações Unidas. É chamada PRINFA (A PRIMEIRA RESERVA INTERNACIONAL DA FLORESTA AMAZÔNICA), e sua fundação se deu pelo fato de a Amazônia estar localizada na América do Sul, uma das regiões mais pobres do mundo e cercada por países irresponsáveis, cruéis e autoritários. Fazia parte de oito países diferentes e estranhos, os quais, em sua maioria, são reinos da violência, do tráfego de drogas, da ignorância, e de um povo sem inteligência e primitivo.
A criação da PRINFA foi apoiada por todas as nações do G-23 e foi realmente uma missão especial para nosso país e um presente para o mundo todo visto que a posse destas terras tão valiosas nas mãos de povos e países tão primitivos condenariam os pulmões do mundo ao desaparecimento e à total destruição em poucos anos.
Podemos considerar que esta área tem a maior biodiversidade do planeta, com uma grande quantidade de espécimes de todos os tipos de animais e vegetais. O valor desta área é incalculável, mas o planeta pode estar certo de que os Estados Unidos não permitirão que estes países Latino Americanos explorem e destruam esta verdadeira propriedade de toda a humanidade. PRINFA é como um parque internacional, com severas regras para exploração
Isto tudo, se verdadeiro, como parece ser, é realmente um fato com o qual devemos ficar indignados. Mas ultimamente, as notícias nos dão conta de um nível de desmatamento mensal descomunal, e as autoridades brasileiras parecem não dar conta de conter seu avanço, ou a corrupção atingiu níveis tão incontroláveis que seu "rombo" já supera o tamanho do desmatamento. Aí então o que podemos esperar, é que dentro de alguns poucos anos teremos um deserto amazônico ou numa visão otimista um grande serrado amazônico.
O que fazer?
Vejam trecho do que publica a coluna de Valdo Cruz na Folha de São Paulo à respeito do assunto:
"Dados alarmantes e intrigantes
Saiu mais uma pesquisa sobre o índice de desmatamento na Amazônia. Como antecipado pelo próprio ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), subiu. Os dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) alertam que 1.123 quilômetros quadrados de florestas podem ter sido derrubados somente no mês de abril. Uma área equivalente à cidade do Rio de Janeiro. São números alarmantes e intrigantes ao mesmo tempo. Os ambientalistas dizem que estamos rumando para o desastre total. Os fazendeiros contestam os dados dizendo que as nuvens atrapalham a pesquisa e que em suas terras só tem corte legal. O desmatamento irregular estaria concentrado em terras federais. Sei lá, acho que dá no mesmo, é floresta tombada, mas de fato a responsabilidade faz toda diferença nesse caso.
Fico tentando dimensionar o que significam os dados divulgados ontem pelo Inpe: cortaram uma área do tamanho da cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro. É muita terra, quer dizer, são muitas árvores abatidas amazônia afora. Na minha memória, logo vêm as cenas vistas pela janela do avião ao se aproximar do aeroporto Santos Dumont. E aquilo ali é só uma parte da cidade. E já é enorme. Tudo aquilo ali e muito mais serrado num único mês. Quem foi o verdadeiro responsável por esse crime ambiental? Responder essa pergunta é uma tarefa do governo federal, essencial para que suas ações de combate ao desmatamento sejam efetivas e dêem resultado.
Do meu lado, que não sou especialista no assunto, fico intrigado toda vez que divulgam esses dados. Sai uma pesquisa e dizem que desmataram uma área maior do que a cidade de São Paulo. Depois, dizem que uma Rio de Janeiro de florestas desapareceu no mês de abril. Caramba, nesse ritmo alucinante, não há floresta que agüente.
O fato é que estão cortando árvore adoidado na Amazônia. E estão cortando porque madeira vale um bom dinheiro e, depois, a terra limpa dá um belo lucro criando gado e plantando soja. Se é em terra pública ou privada, se é empresário legal ou ilegal, não sei. Missão para o setor público enfrentar. Afinal, está claro e muito limpo que o ritmo atual não é sustentável. O novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, mostra disposição para inverter essa curva. O estilo midiático ajuda, assusta, mas só ele não vai deter as motosserras na Amazônia."
Agora, mudando de foco, dentro do mesmo assunto, vamos relembrar o que em Setembro de 2000, falou Cristóvam Buarque:
Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.
O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.
Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque:
'De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso '.
'Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade'.
'Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro'.
'Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo subir ou não o seu preço'.
'Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. 'Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país'.
'Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação'.
'Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo'. 'O Louvre não deve pertencer apenas à França.
Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país'.
'Não faz muito, um milionário japonês,decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre.Antes disso,aquele quadro deveria ter sido internacionalizado'.
'Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada.
Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade'.
'Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife,cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro'.
'Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA'.
'Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil'.
'Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola'.
'Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro'.
'Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.
Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa'. 'Só nossa!.'
(*) Cristovam Buarque, 58, doutor em economia e professor do Departamento de Economia da UnB (Universidade de Brasília), foi governador do Distrito Federal pelo PT (1995-98). Autor, entre outras obras, de "A Segunda Abolição" (editora Paz e Terra).
Nota:
O artigo de Cristovam Buarque foi publicado no site "Alma carioca", que sendo questionado sobre veracidade do seu conteúdo, publicou:
Recebemos um email questionando sobre a autenticidade do texto, pois alguns "web sites" diziam não ser Cristovam Buarque o seu autor. Entramos em contato com Cristovam que confirmou, em 10/05/2002, ser o texto de sua autoria:
"Prezado Paulo
O artigo é meu e foi publicado no Globo e no Correio Brasiliense, no final de 2000. O fato em si ocorreu em Setembro de 2000 em Nova York, durante o State of The World Forum.
Grande abraço
Cristovam"
e mais, em 28 de maio de 2002:
Prezados (as) amigos (as),
Vem sendo distribuido pela internet por diversas pessoas, o que me surpreende agradavelmente, o artigo "A Internacionalização do Mundo". O fato que deu origem a este artigo ocorreu em Nova York, nas salas de convenções do Hotel Hilton, durante o encontro do State of the World Forum, em Setembro de 2000. Publiquei o artigo no Globo e no Correio Braziliense, logo depois. Mas de vez em quando surgem mudanças e informações adicionais nem sempre verdadeiras. É falso que o artigo foi publicado no New York Time e outros jornais estrangeiros. Se tivesse sido eu tomaria certamente conhecimento através de algum amigo.
No mais, fico contente que vocês tenham lido. E para aqueles que ainda não leram aproveito a oportunidade para mandar.
Grande abraço
Cristovam
A Amazônia é nossa.
Mas o que teremos em breve?
O deserto Amazônico é nosso?
Ou o serrado Amazônico é nosso?
Preservação da Amazônia. O que podemos fazer?
julho 29, 2008
julho 18, 2008
Sinaleiro Amarelo em Mogi da Cruzes
Nos próximos dias 9 e 10 de Agosto estaremos apresentando a peça "O Sinaleiro Amarelo - uma fotonovela teatral", no Teatro Municipal de Mogi das Cruzes - Teatro Vasquez, às 20:30hs.
Se você é de Mogi, está convidado. Ingressos a R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia). Divulgaremos aqui algumas promoções que faremos por ocasião da apresentação.
Clique aqui e visite nosso site para saber mais detalhes e veja onde serão outras apresentações...
Assista a seguiir um trecho da peça.
maio 26, 2008
Manifesto em defesa da preservação do SESC
Quem de uma forma ou de outra, está ligado à cultura, sabe da importância do SESC e do SESI nessa área desde os anos 40 . Entretanto, os recursos dessas entidades com essa finalidade, de repente estão ameaçados. Em 28 de abril O ministro da Educação, Fernando Haddad, assinou o texto final de um projeto de lei que compromete a ação e a extensão da ação do SESC. Com isso, o Governo Federal quer destinar parte da arrecadação destas entidades para um Fundo destinado à Formação Técnica.
Ou seja, fazer reverência com o chapéu alheio.
Se você quiser entender melhor o que está acontecendo, no site do SESC, existe ampla documentação do assunto, com opiniões e debates na imprensa brasileira, inclusive com vídeo da entrevista de Danilo dos Santos Miranda no Programa do Jô.
Danilo é Diretor Regional do SESC SP e autor de um manifesto que pretende colher assinaturas em defesa da preservação do SESC.
Minha assinatura foi a de número 22402. Assine também e divulgue!
A seguir carta aberta de Danilo Miranda. Clique aqui, leia o manifesto e assine você também.
Carta aberta ao público freqüentador do SESC
Queremos compartilhar com todos vocês o risco ao qual o SESC está exposto neste momento. O governo federal pretende enviar ao Congresso Nacional projeto de lei que retira pelo menos 33% dos recursos do SESC para a criação de mais um fundo de financiamento de programas de formação profissional. Diante desse risco, é nosso dever expor à sociedade brasileira o valor e a importância desta instituição criada, mantida e administrada com recursos privados, provenientes de contribuição compulsória das empresas do comércio de bens e serviços surgida nos anos 40 por proposta voluntária do empresariado.
Esta definição tem amparo na lei e na Constituição Brasileira (art. 240). O SESC promove a educação permanente por meio de suas ações culturais, socioambientais, esportivas, de promoção da saúde e da cidadania, das atividades de lazer e de sociabilização, voltadas prioritariamente às pessoas de menor renda. A melhor maneira de conferir o significado dessa ação é vivenciar o dia-a-dia.nos centros culturais e desportivos. Ouvir o relato dos freqüentadores sobre a importância do SESC em suas vidas e para suas famílias.
Utilizar os equipamentos e instalações de primeira qualidade, abertos a todos os estratos sociais, e participar das inúmeras atividades que abrangem um amplo arco de interesses e necessidades, reunindo um público extremamente diversificado. Acreditamos que todos vocês já tiveram essa oportunidade. São, portanto, testemunhas da natureza beneficamente eficaz, engajadamente eficiente e profundamente educativa do trabalho que o SESC desenvolve há 61 anos.
Esse patrimônio não pode ser sacrificado em favor de prioridades transitórias, em nome das quais se destruiria um trabalho consolidado em mais de seis décadas de atuação, causando um prejuízo incalculável ao desenvolvimento do país. A educação profissional é importante. Mas se dissociada de uma ação voltada ao desenvolvimento integral do indivíduo, torna-se meramente utilitarista, o que levaria a um evidente retrocesso, fruto de uma visão obscurantista e flagrantemente retrógrada.
Diante da gravidade dessa situação, que propõe a retirada de substanciais recursos dos programas socioeducativos do SESC, convidamos a todos para que se manifestem, pelos meios ao seu alcance, em prol da continuidade de nosso trabalho. Um projeto que, afinal, é uma conquista da sociedade brasileira.
Danilo Miranda, Diretor Regional do SESCSP
maio 05, 2008
Parabéns Palmeiras
Este corinthianíssimo blog vem a público parabenizar os nossos rivais (só no campo) palmeirenses pela brilhante vitória por 5x0 contra a Ponte Preta e a consequente conquista do título paulista de 2008, quebrando o jejum de 12 anos. Mas... queria deixar aqui registrada a "bola murcha" dessa vitória. Examinem as fotos abaixo:

Em meio a alegria da vitória, alguns jogadores ostentam uma camiseta com os dizeres:
I LOVE JESUS E MINHA FAMÍLIA!
Ora! Tenha a Santíssima (desculpe) paciência! I LOVE???
Meus caros, estamos no Brasil, nossa língua pátria é o português!
I LOVE MINHA FAMÍLIA É DE DOER !
Esta também vai para o "Pizando na língoa".
Baitabraço a todos os meus amigos Palmeirenses
abril 21, 2008
Água - Beba água com estômago vazio.
Hoje é muito popular no Japão beber água imediatamente após levantar, na parte da manhã, pois as evidências científicas tem demonstrado estes valores.
Abaixo divulgamos uma descrição da utilização da água para os nossos leitores.
Para idosos com doenças graves e doenças em tratamento médico, a água tem sido muito bem sucedida. Para a sociedade médica japonesa, uma cura de até 100% para as seguintes doenças:
Dores de cabeça, corpo ferido, problemas cardíacos, artrite, taquicardia, epilepsia, excesso de gordura, bronquite, asma, tuberculose, meningite, aparelho urinário e doenças renais, vomitos, gastrite, diarréia, diabetes, hemorróidas, todas as doenças oculares, obstipação, útero, câncer e distúrbios menstruais, doenças de ouvido, nariz e garganta.
Método de tratamento:
1. Na parte da manhã e antes de escovar os dentes, beber 4 x 160ml copos de água.
2. Lavar e limpar a boca, mas não comer ou beber nada durante 45 minutos.
3. Após 45 minutos, você pode comer e beber normalmente.
4. Após os 15 minutos do lanche, almoço e jantar não se deve comer ou beber nada durante 2 horas.
5. Pessoas idosas ou doentes que não podem beber 4 copos de água, no início podem começar por tomar um copo de água e aumentar gradualmente a quantidade para 4 copos por dia.
6. O método de tratamento cura doenças e outros podem desfrutar de uma vida mais saudável.
A lista que se segue apresenta o número de dias que requer tratamento para curar / controle / reduzir as principais doenças:
1. Pressão Alta - 30 dias
2. Gastrite - 10 dias
3. Diabetes - 30 dias
4. Obstipação - 10 dias
5. Câncer - 180 dias
6. TB - 90 dias ???
7. Os doentes com artrite devem continuar o tratamento para apenas 3 dias na primeira semana e, desde a segunda semana, diáriamente.
Este método de tratamento não tem efeitos secundários. No entanto, no início do tratamento terá de urinar frequentemente. É melhor, se continuarmos com o tratamento, porque este procedimento funciona como uma
rotina de nossas vidas. Beber água é saudável e dá energia.
Isto faz sentido: o chinês e o japonês bebem líquido quente com as refeições, e não água fria. Talvez tenha chegado o momento de mudar seus hábitos de água gelada para água quente, enquanto se come. Nada a perder,
tudo a ganhar ...!
Para quem gosta de beber água fria, esta secção aplica-se a eles.
É bom beber um copo de água fria ou uma bebida fria após a refeição, porém, a água fria ou bebida fria solidifica o alimento gorduroso que você acabou de comer. Isso retarda a digestão.
Uma vez que essa 'mistura' reage com o ácido digestivo, ela reparte-se e é absorvida mais rapidamente do que o alimento sólido para o trato gastrointestinal. Isto danificada o intestino e, muito em breve, vai se transformar em gordura e pode nos levar ao câncer. É melhor tomar uma sopa quente ou água quente após cada refeição.
Nota muito grave - perigoso para o coração:
As mulheres devem saber que nem todos os sintomas de ataques cardíacos se resumem a uma dor no braço esquerdo ou uma dor no peito. Esteja atento para uma intensa dor na linha da mandíbula. Você pode nunca ter primeiro uma dor no peito durante um ataque cardíaco. Náuseas e sudorese intensa são sintomas muito comuns.
Pesquisas comprovam que 60% das pessoas têm ataques cardíacos enquanto dormem é não conseguem despertar. Uma dor no maxilar pode despertar de um sono profundo. Sejamos cuidadosos e estamos vigilantes. Quanto mais se sabe, maior chance de sobrevivência ...
Um cardiologista diz que se todos que receberem esta mensagem, enviá-la a pelo menos uma das pessoas que
* Ser um verdadeiro amigo é enviar/divulgar este artigo para todos os seus amigos e conhecidos.
abril 15, 2008
abril 11, 2008
Se alguém te mandar a Puta que pariu...
O mato envolve todo o bairro e os moradores tem o hábito de criar galinhas como hobby, profissão, sustento e motivo prá viver.
Então meu caro amigo, no próximo feriado pegue o seu carro, caia na estrada e vá visitar a Puta que pariu!

Ou se você preferir, você pode ir de ônibus. O 307 é o ônibus que te leva pra Putaque pariu!

Nostradamus prevê Brasil atual...
Fragmentos do texto de Nostradamus:
."e próximo do terceiro milênio uma besta (quem seria?) barbuda (céus, será ele?) descerá triunfante sobre um condado do hemisfério sul (Brasil? besta barbuda?); espalhando desgraça e a miséria ." (acho que se trata da reforma da previdência ou a corrupção institucionalizada ou ainda o mensalão. Seria o Lula?).
"...Será reconhecido por não possuir seus membros superiores totalmente completos." (epa!!! Cadê o dedinho? É o Lula! )
"...Trará com ele uma horda (faz sentido...Palocci, Zé Dirceu, Dulci, Genoíno e Cia Ltda) que dominará e exterminará as aves bicudas (já tô ficando assustado...PSDB = Tucanos = ave bicuda!!!) ; e implantará a barbárie por muitas datas (Reeleição?) sobre um povo tolo e leviano." (puta que pariu, com certeza é nóis!!!) .
Recebi do meu amigo Rafa e não poderia deixar de postar...
fevereiro 25, 2008
400 anos do nascimento do Padre Antonio Vieira
Em fevereiro de 1608, nascia em Lisboa, o padre Antonio Vieira. Missionário jesuíta, orador, diplomata, mestre da prosa portuguesa clássica, defensor dos pobres, dos escravos e das outras culturas, Padre António Vieira foi perseguido pela Inquisição e a venceu. Teve papel importante tanto história portuguesa quantgo na brasileira; seus sermões, cartas e papeis oficiais constituem um valioso índice do clima das opiniões no século 17 no mundo luso-brasileiro. Seus sermões soam como verdadeiros poemas. Ele foi aclamado como o Imperador da Língua portuguesa. Produziu obras-primas que, quatro séculos depois, continuam a arrebatar quem as lê.
Aqui a homenagem do Sinaleiro, em dois momentos: momento 1- com a música em Video Clip do DVD Mensagem de Fernando Pessoa, com direção e música de André Luiz Oliveira e interpretação de Glória de Lurdes
momento 2: a transcrição do maravilhoso Sermão da quarta-feira de cinzas.
Sermão da quarta-feira de cinzas
(Igreja de S. Antônio dos Portugueses, Roma. Ano de 1670.)
Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris.
Lembra-te homem, que és pó, e em pó te hás de converter.
I
O pó futuro, em que nos havemos de converter, é visível à vista, mas o pó presente, o pó que somos, como poderemos entender essa verdade? A resposta a essa dúvida será a matéria do presente discurso.
Duas coisas prega hoje a Igreja a todos os mortais, ambas grandes, ambas tristes, ambas temerosas, ambas certas. Mas uma de tal maneira certa e evidente, que não é necessário entendimento para crer: outra de tal maneira certa e dificultosa, que nenhum entendimento basta para a alcançar. Uma é presente, outra futura, mas a futura vêem-na os olhos, a presente não a alcança o entendimento. E que duas coisas enigmáticas são estas? Pulvis es, tu in pulverem reverteris: Sois pó, e em pó vos haveis de converter. — Sois pó, é a presente; em pó vos haveis de converter, é a futura. O pó futuro, o pó em que nos havemos de converter, vêem-no os olhos; o pó presente, o pó que somos, nem os olhos o vêem, nem o entendimento o alcança. Que me diga a Igreja que hei de ser pó: In pulverem reverteris, não é necessário fé nem entendimento para o crer. Naquelas sepulturas, ou abertas ou cerradas, o estão vendo os olhos. Que dizem aquelas letras? Que cobrem aquelas pedras? As letras dizem pó, as pedras cobrem pó, e tudo o que ali há é o nada que havemos de ser: tudo pó. Vamos, para maior exemplo e maior horror, a esses sepulcros recentes do Vaticano. Se perguntardes de quem são pó aquelas cinzas, responder-vos-ão os epitáfios, que só as distinguem: Aquele pó foi Urbano, aquele pó foi Inocêncio, aquele pó foi Alexandre, e este que ainda não está de todo desfeito, foi Clemente. De sorte que para eu crer que hei de ser pó, não é necessário fé, nem entendimento, basta a vista. Mas que me diga e me pregue hoje a mesma Igreja, regra da fé e da verdade, que não só hei de ser pó de futuro, senão que já sou pó de presente: Pulvis es? Como o pode alcançar o entendimento, se os olhos estão vendo o contrário? É possível que estes olhos que vêem, estes ouvidos que ouvem, esta língua que fala, estas mãos e estes braços que se movem, estes pés que andam e pisam, tudo isto, já hoje é pó: Pulvis es? Argumento à Igreja com a mesma Igreja: Memento homo. A Igreja diz-me, e supõe que sou homem: logo não sou pó. O homem é uma substância vivente, sensitiva, racional. O pó vive? Não. Pois como é pó o vivente? O pó sente? Não. Pois como é pó o sensitivo? O pó entende e discorre? Não. Pois como é pó o racional? Enfim, se me concedem que sou homem: Memento homo, como me pregam que sou pó: Quia pulvis es? Nenhuma coisa nos podia estar melhor que não ter resposta nem solução esta dúvida. Mas a resposta e a solução dela será a matéria do nosso discurso. Para que eu acerte a declarar esta dificultosa verdade, e todos nós saibamos aproveitar deste tão importante desengano, peçamos àquela Senhora, que só foi exceção deste pó, se digne de nos alcançar graça.
Ave Maria.
II
O homem foi pó e há de ser pó, logo é pó, pois tudo o que vive não é o que é, é o que foi e o que há de ser. O exemplo da vara de Arão que se converte em serpente. Deus se definiu a Moisés como aquele que é o que é, porque só ele é o que foi e o que há de ser. Se alguém puder afirmar o mesmo de si próprio também é digno de ser adorado.
Enfim, senhores, não só havemos de ser pó, mas já somos pó: Pulvis es. Todos os embargos que se podiam pôr contra esta sentença universal são os que ouvistes. Porém como ela foi pronunciada definitiva e declaradamente por Deus ao primeiro homem e a todos seus descendestes, nem admite interpretação nem pode ter dúvida. Mas como pode ser? Como pode ser que eu que o digo, vós que o ouvis, e todos os que vivemos sejamos já pó: Pulvis es? A razão é esta. O homem, em qualquer estado que esteja, é certo que foi pó, e há de tornar a ser pó. Foi pó, e há de tornar a ser pó? Logo é pó. Porque tudo o que vive nesta vida, não é o que é: é o que foi e o que há de ser. Ora vede.
No dia aprazado em que Moisés e os magos do Egito haviam de fazer prova e ostentação de seus poderes diante do rei Faraó, Moisés estava só com Arão de uma parte, e todos os magos da outra. Deu sinal o rei, mandou Moisés a Arão que lançasse a sua vara em terra, e converteu-se subitamente em uma serpente viva e tão temerosa, como aquela de que o mesmo Moisés no deserto se não dava por seguro. Fizeram todos os magos o mesmo: começam a saltar e a ferver serpentes, porém a de Moisés investiu e avançou a todas elas intrépida e senhorilmente, e assim, vivas como estavam, sem matar nem despedaçar, comeu e engoliu a todas. Refere o caso a Escritura, e diz estas palavras: Devoravit virga Aaron virgas eorum: a vara de Arão comeu e engoliu as dos egípcios (Ex 7, 12) — Parece que não havia de dizer: a vara, senão: a serpente. A vara não tinha boca para comer, nem dentes para mastigar, nem garganta para engolir, nem estômago para recolher tanta multidão de serpentes. A serpente, em que a vara se converteu, sim, porque era um dragão vivo, voraz e terrível, capaz de tamanha batalha e de tanta façanha. Pois, por que diz o texto que a vara foi a que fez tudo isto, e não a serpente? Porque cada um é o que foi e o que há de ser. A vara de Moisés, antes de ser serpente, foi vara, e depois de ser serpente, tornou a ser vara; a serpente que foi vara e há de tornar a ser vara não é serpente, é vara: Virga Aaron. É verdade que a serpente naquele tempo estava viva, e andava, e comia, e batalhava, e vencia, e triunfava, mas como tinha sido vara, e havia de tornar a ser vara, não era o que era: era o que fora e o que havia de ser: Virga.
Ah! serpentes astutas do mundo vivas, e tão vivas! Não vos fieis da vossa vida nem da vossa viveza; não sois o que cuidais nem o que sois: sois o que fostes e o que haveis de ser. Por mais que vós vejais agora um dragão coroado e vestido de armas douradas, com a cauda levantada e retorcida açoitando os ventos, o peito inchado, as asas estendidas, o colo encrespado e soberbo, a boca aberta, dentes agudos, língua trifulca, olhos cintilantes, garras e unhas rompentes, por mais que se veja esse dragão já tremular na bandeira dos lacedemônios, já passear nos jardins das hespérides, já guardar os tesouros de Midas, ou seja dragão volante entre os meteoros, ou dragão de estrelas entre as constelações, ou dragão de divindade afetada entre as hierarquias, se foi vara, e há de ser vara, é vara; se foi terra, e há de ser terra, é terra; se foi nada, e há de ser nada, é nada, porque tudo o que vive neste mundo é o que foi e o que há de ser. Só Deus é o que é, mas por isso mesmo. Por isso mesmo. Notai.
Apareceu Deus ao mesmo Moisés nos desertos de Madiã; manda-o que leve a nova da liberdade ao povo cativo, e perguntando Moisés quem havia de dizer que o mandava, pare que lhe dessem crédito, respondeu Deus e definiu-se: Ego sum qui sum: Eu sou o que sou (Ex 3, 14). Dirás que o que é te manda: Qui est misit me ad vos? Qui est? O que é? E que nome, ou que distinção é esta? Também Moisés é o que é, também Faraó é o que é, também o povo, com que há de falar, é o que é. Pois se este nome e esta definição toca a todos e a tudo, como a toma Deus só por sua? E se todos são o que são, e cada um é o que é, por que diz Deus não só como atributo, senão como essência própria da sua divindade: Ego sum qui sum: Eu sou o que sou? Excelentemente S. Jerônimo, respondendo com as palavras do Apocalipse: Qui est, et qui erat, et qui venturus est [2], Sabeis por que diz Deus: Ego sum qui sum? Sabeis por que só Deus é o que é? Porque só Deus é o que foi e o que há de ser. Deus é Deus, e foi Deus, e há de ser Deus; e só quem é o que foi e o que há de ser. é o que é. Qui est, et qui erat, et qui venturus est. Ego sum qui sum. De maneira que quem é o que foi e o que há de ser, é o que é, e este é só Deus. Quem não é o que foi e o que há de ser, não é o que é: é o que foi e o que há de ser: e esses somos nós. Olhemos para trás: que é o que fomos? Pó. Olhemos para diante: que é o que havemos de ser? Pó. Fomos pó e havemos de ser pó? Pois isso é o que somos: Pulvis es.
Eu bem sei que também há deuses da terra, e que esta terra onde estamos foi a pátria comum de todos os deuses, ou próprios, ou estrangeiros. Aqueles deuses eram de diversos metais; estes são de barro, ou cru ou mal cozido, mas deuses. Deuses na grandeza, deuses na majestade, deuses no poder, deuses na adoração, e também deuses no nome: Ego dixi, dii estis. Mas se houver, que pode haver, se houver algum destes deuses que cuide ou diga: Ego sum qui sum, olhe primeiro o que foi e o que há de ser. Se foi Deus, e há de ser Deus, é Deus: eu o creio e o adoro; mas se não foi Deus, nem há de ser Deus, se foi pó, e há de ser pó, faça mais caso da sua sepultura que da sua divindade. Assim lho disse e os desenganou o mesmo Deus que lhes chamou deuses: Ego dixi, dii estis. Vos autem sicut homines moriemini [3]. Quem foi pó e há de ser pó, seja o que quiser e quanto quiser, é pó: Pulvis es.
III
Jó define-se como quem foi pó e há de ser pó: Abraão define-se como quem é pó. O texto sagrado não diz: converter-vos-eis em pó mas tornareis a ser pó. O que chamamos vida não é mais que um círculo que fazemos de pó a pó.
Parece-me que tenho provado a minha razão e a conseqüência dela. Se a quereis ver praticada em próprios termos, sou contente. Praticaram este desengano dois homens que sabiam mais de nós que nós: Abraão e Jó, com outro memento como o nosso, dizia a Deus: Memento quaeso, quod sicuit lutum feceris me, et in pulverem deduces me: Lembrai-vos, Senhor, que me fizestes de pó, e que em pó me haveis de tornar (Jó 10, 9). —Abraão, pedindo licença ou atrevimento para falar a Deus: Loquar ad Dominum, cum sim pulvis et cinis: Falar-vos-ei , Senhor, ainda que sou pó e cinza (Gn 18, 27). — Já vedes a diferença dos termos que não pode ser maior, nem também mais natural ao nosso intento. Jó diz que foi pó e há de ser pó; Abraão não diz que foi, nem que há de ser, senão que já é pó: Cum sim pulvis et cinis. Se um destes homens fora morto e outro vivo, falavam muito propriamente, porque todo o vivo pode dizer: Eu fui pó, e hei de ser pó; e um morto, se falar, havia de dizer: Eu já sou pó. Mas Abraão que disse isto, não estava morto, senão vivo, como Jó; e Abraão e Jó não eram de diferente metal, nem de diferente natureza. Pois se ambos eram da mesma natureza, e ambos estavam vivos, como diz um que já é pó, e outro não diz que o é, senão que o foi e que o há de ser? Por isso mesmo. Porque Jó foi pó e há de ser pó, por isso Abraão é pó. Em Jó falou a morte, em Abraão falou a vida, em ambos a natureza. Um descreveu-se pelo passado e pelo futuro, o outro definiu-se pelo presente; um reconheceu o efeito, o outro considerou a causa; um disse o que era, o outro declarou o porquê. Porque Jó e Abraão e qualquer outro homem foi pó, por isso já é pó. Fôstes pó e haveis de ser pó como Jó? Pois já sois pó como Abraão: Cum sim pulvis et cinis.
Tudo temos no nosso texto, se bem se considera, porque as segundas palavras dele não só contêm a declaração, senão também a razão das primeiras. Pulvis es: sois pó. E por que? Porque in pulverem reverteris: porque fostes pó e haveis de tornar a ser pó. Esta é a forca da palavra reverteris, a qual não só significa o pó que havemos de ser, senão também o pó que somos. Por isso não diz: converteris, converter-vos-eis em pó, senão: reverteris, tornareis a ser o pó que fostes. Quando dizemos que os mortos se convertem em pó, falamos impropriamente, porque aquilo não é conversão, é reversão: reverteris. É tornar a ser na morte o pó que somos no nascimento; é tornar a ser na sepultura o pó que somos no campo damasceno. E porque somos pó e havemos de tornar a ser pó: In pulverem reverteris, por isso já somos pó: Pulvis es. — Não é exposição minha, senão formalidade do mesmo texto, com que Deus pronunciou a sentença de morte contra Adão: Donec revertaris in terram de qua sumptus es: quia pulvis es (Gn 3, 19): — Até que tornes a ser a terra de que fostes formado, porque és pó.— De maneira que a razão e o porquê de sermos pó: Quia pulvis es, é porque somos pó, e havemos de tornar a ser pó: Donec revertaris in terram de qua sumptus es.
Só parece que se pode opor ou dizer em contrário, que aquele donec: até que, significa tempo em meio entre o pó que somos e o pó que havemos de ser, e que neste meio tempo não somos pó. Mas a mesma verdade divina que disse: donec, disse também: pulvis es. E a razão desta conseqüência está no revertaris, porque a reversão com que tornamos a ser o pó que fomos começa circularmente, não do último senão do primeiro ponto da vida. Notai. Esta nossa chamada vida não é mais que um círculo que fazemos de pó a pó: do pó que fomos ao pó que havemos de ser. Uns fazem o círculo maior, outros menor, outros mais pequeno, outros mínimo: De utero translatus ad tumulum [4] Mas, ou o caminho seja largo, ou breve, ou brevíssimo, como é círculo de pó a pó, sempre e em qualquer parte da vida somos pó. Quem vai circularmente de um ponto para o mesmo ponto, quanto mais se aparta dele tanto mais se chega para ele; e quem quanto mais se aparta mais se chega, não se aparta. O pó que foi nosso princípio, esse mesmo, e não outro, é o nosso fim, e porque caminhamos circularmente deste pó para este pó, quanto mais parece que nos apartamos dele, tanto mais nos chegamos para ele; o passo que nos aparta, esse mesmo nos chega; o dia que faz a vida, esse mesmo a desfaz. E como esta roda que anda e desanda juntamente sempre nos vai moendo, sempre somos pó. Por isso, quando Deus intimou a Adão a reversão ou resolução deste círculo: Donec revertaris, das premissas: pó foste, e pó serás, — tirou por conseqüência: pó és: Quia pulvis es. Assim que desde o primeiro instante da vida até o último nos devemos persuadir e assentar conosco, que não só somos e havemos de ser pó, senão que já o somos, e por isso mesmo. Foste pó e hás de ser pó? És pó: Pulvis es.
IV
Se já somos pó, qual a diferença existente entre vivos e mortos? Os vivos são o pó levantado pelo vento, os mortos são o pó caído. Adão, feito de pó, recebendo o vento do sopro divino torna-se vivo. Nas Escrituras, levantar é viver, cair é morrer. Assim, como distingue Davi, há o pó da morte e o pó da vida.
Ora, suposto que já somos pó, e não pode deixar de ser, pois Deus o disse, perguntar-me-eis e com muita razão, em que nos distinguimos logo os vivos dos mortos? Os mortos são pó, nós também somos pó: em que nos distinguimos uns dos outros? Distinguimo-nos os vivos dos mortos, assim como se distingue o pó do pó. Os vivos são pó levantado, os mortos são pó caído: os vivos são pó que anda, os mortos são pó que jaz: Hic jacet. Estão essas praças no verão cobertas de pó; dá um pé-de-vento, levanta-se o pó no ar, e que faz? O que fazem os vivos, e muitos vivos. Não aquieta o pó, nem pode estar quedo: anda, corre, voa, entra por esta rua, sai por aquela; já vai adiante, já torna atrás; tudo enche, tudo cobre, tudo envolve, tudo perturba, tudo cega, tudo penetra, em tudo e por tudo se mete, sem aquietar, nem sossegar um momento, enquanto o vento dura. Acalmou o vento, cai o pó, e onde o vento parou, ali fica, ou dentro de casa, ou na rua, ou em cima de um telhado, ou no mar, ou no rio, ou no monte, ou na campanha. Não é assim? Assim é. E que pó, e que vento é este? O pó somos nós: Quia pulvis es; o vento é a nossa vida: Quia ventus es vita mea (Jó 7, 7). Deu o vento, levantou-se o pó; parou o vento, caiu. Deu o vento, eis o pó levantado: esses são os vivos. Parou o vento, eis o pó caído: estes são os mortos. Os vivos pó, os mortos pó; os vivos pó levantado, os mortos pó caído; os vivos pó com vento, e por isso vãos; os mortos pó sem vento, e por isso sem vaidade. Esta é a distinção, e não há outra.
Nem cuide alguém que é isto metáfora ou comparação, senão realidade experimentada e certa. Forma Deus de pó aquela primeira estátua, que depois se chamou corpo de Adão. Assim o diz o texto original: Formavit Deus hominem de pulvere terrae (Gn 2, 7). A figura era humana e muito primorosamente delineada, mas a substância ou a matéria não era mais que pó. A cabeça pó, o peito pó, os braços pó, os olhos, a boca, a língua, o coração, tudo pó. Chega-se pois Deus à estátua, e que fez? Inspiravit in faciem ejus: Assoprou-a (Gn 2, 7). E tanto que o vento do assopro deu no pó: Et factus est homo in animam viventem: eis o pó levantado e vivo; já é homem, já se chama Adão. Ah! pó, se aquietaras e pararas aí! Mas pó assoprado, e com vento, como havia de aquietar? Ei-lo abaixo, ei-lo acima, e tanto acima, e tanto abaixo, dando uma tão grande volta, e tantas voltas. Já senhor do universo, já escravo de si mesmo; já só, já acompanhado; já nu, já vestido; já coberto de folhas, já de peles; já tentado, já vencido; já homiziado, já desterrado; já pecador, já penitente, e para maior penitência, pai, chorando os filhos, lavrando a terra, recolhendo espinhos por frutos, suando, trabalhando, lidando, fatigando, com tantos vaivens do gosto e da fortuna, sempre em uma roda viva. Assim andou levantado o pó enquanto durou o vento. O vento durou muito, porque naquele tempo eram mais largas as vidas, mas ao fim parou. E que lhe sucedeu no mesmo ponto a Adão? O que sucede ao pó. Assim como o vento o levantou, e o sustinha, tanto que o vento parou, caiu. Pó levantado, Adão vivo; pó caído, Adão morto: Et mortuus est.
Este foi o primeiro pó, e o primeiro vivo, e o primeiro condenado à morte, e esta é a diferença que há de vivos a mortos, e de pó a pó. Por isso na Escritura o morrer se chama cair, e o viver levantar-se. O morrer cair: Vos autem sicut hominas moriemini, et sicut unus de principibus cadetis [5]. O viver, levantar-se: Adolescens, tibi dico, surge [6]. Se levantados, vivos; se caídos, mortos; mas ou caídos ou levantados, ou mortos, ou vivos, pó: os levantados pó da vida, os mortos pó da morte. Assim o entendeu e notou Davi, e esta é a distinção que fêz quando disse: In pulvere mortis deduxisti me: Levastes-me, Senhor, ao pó da morte. Não bastava dizer: In pulverem deduxisti, assim como: In pulverem reverteris? Se bastava; mas disse com maior energia: In pulverem mortis: ao pó da morte, porque há pó da morte, e pó da vida: os vivos, que andamos em pé, somos o pó da vida: Pulvis es; os mortos, que jazem na sepultura, são o pó da morte: In pulverem reverteris.
V
O memento dos vivos; lembre-se o pó levantado que há de ser pó caído. O vento da vida e o vento da fortuna. A estátua de Nabucodonosor: o ouro, a prata, o bronze, o ferro, tudo se converte em pó de terra. Significado do nome de Adão. S. Agostinho e a glória de Roma. Roma, a caveira do mundo, ainda está sujeita a novas destruições. Salomão e o espelho do passado e do futuro.
À vista desta distinção tão verdadeira e deste desengano tão certo, que posso eu dizer ao nosso pó senão o que lhe diz a Igreja: Memento homo. Dois mementos hei de fazer hoje ao pó: um memento ao pó levantado, outro memento ao pó caído; um memento ao pó que somos, outro memento ao pó que havemos de ser; um memento ao pó que me ouve, outro memento ao pó que não pode ouvir. O primeiro será o memento dos vivos, o segundo o dos mortos.
Aos vivos, que direi eu? Digo que se lembre o pó levantado que há de ser pó caído. Levanta-se o pó com o vento da vida, e muito mais com o vento da fortuna; mas lembre-se o pó que o vento da fortuna não pode durar mais que o vento da vida, e que pode durar muito menos, porque é mais inconstante. O vento da vida por mais que cresça, nunca pode chegar a ser bonança; o vento da fortuna, se cresce, pode chegar a ser tempestade, e tão grande tempestade que se afogue nela o mesmo vento da vida. Pó levantado, lembra-te outra vez que hás de ser pó caído, e que tudo há de cair e ser pó contigo. Estátua de Nabuco: ouro, prata, bronze, ferro, lustre, riqueza, fama, poder, lembra-te que tudo há de cair de um golpe, e que então se verá o que agora não queremos ver: que tudo é pó, e pó de terra. Eu não me admiro, senhores, que aquela estátua em um momento se convertesse toda em pó: era imagem de homem; isso bastava. O que me admira e admirou sempre é que se convertesse, como diz o texto, em pó de terra: In favillam aestivae areae (Dn 2, 35). A cabeça da estátua não era de ouro? Pois por que se não converte o ouro em pó de ouro? O peito e os braços não eram de prata? Por que se não converte a prata em pó de prata? O ventre não era de bronze, e o demais de ferro? Por que se não converte o bronze em pó de bronze e o ferro em pó de ferro? Mas o ouro, a prata, o bronze, o ferro, tudo em pó de terra? Sim. Tudo em pó de terra. Cuida o ilustre desvanecido que é de ouro, e todo esse resplendor, em caindo, há de ser pó, e pó de terra. Cuida o rico inchado que é de prata, e toda essa riqueza em caindo há de ser pó, e pó de terra. Cuida o robusto que é de bronze, cuida o valente que é de ferro, um confiado, outro arrogante, e toda essa fortaleza, e toda essa valentia em caindo há de ser pó, e pó de terra: In favillam aestivae areae.
Senhor pó: Nimium ne crede colori [7]. A pedra que desfez em pó a estátua, é a pedra daquela sepultura. Aquela pedra, é como a pedra do pintor, que mói todas as cores, e todas as desfaz em pó. O negro da sotaina, o branco da cota, o pavonaço do mantelete, o vermelho da púrpura, tudo ali se desfaz em pó. Adão quer dizer ruber, o vermelho, porque o pó do campo damasceno, de que Adão foi formado, era vermelho, e parece que escolheu Deus o pó daquela cor tão prezada, para nela, e com ela, desenganar a todas as cores [8]. Desengane-se a escarlata mais fina, mais alta e mais coroada, e desenganem-se daí abaixo todas as cores, que todas se hão de moer naquela pedra e desfazer em pó, e o que é mais, todas em pó da mesma cor. Na estátua o ouro era amarelo, a prata branca, o bronze verde, o ferro negro, mas tanto que a tocou a pedra, tudo ficou da mesma cor, tudo da cor da terra: In favillam aestivae areae. O pó levantado, como vão, quis fazer distinções de pó a pó, e porque não pôde distinguir a substância, pôs a diferença nas cores. Porém a morte, como vingadora de todos os agravos da natureza, a todas essas cores faz da mesma cor, para que não distinga a vaidade e a fortuna os que fez iguais a razão. Ouvi a S. Agostinho: Respice sepulchra et vide quis dominus, quis servus, quis pauper, quis dives? Discerne, si potes, regem a vincto, fortem a debili, pulchrum a deformi [9]: Abri aquelas sepulturas, diz Agostinho, e vede qual é ali o senhor e qual o servo; qual é ali o pobre e qual o rico? Discerne, si potes: distingui-me ali, se podeis, o valente do fraco, o formoso do feio, o rei coroado de ouro do escravo de Argel carregado de ferros? Distingui-los? Conhecei-los? Não por certo. O grande e o pequeno, o rico e o pobre, o sábio e o ignorante, o senhor e o escravo, o príncipe e o cavador, o alemão e o etíope, todos ali são da mesma cor.
Passa S. Agostinho da sua África à nossa Roma, e pergunta assim: Ubi sunt quos ambiebant civium potentatus? Ubi insuperabiles imperatores? Ubi exercituum duces? Ubi satrapae et tyranni [10]? Onde estão os cônsules romanos? Onde estão aqueles imperadores e capitães famosos, que desde o Capitólio mandavam o mundo? Que se fez dos Césares e dos Pompeus, dos Mários e dos Silas, dos Cipiões e dos Emílios? Os Augustos, os Cláudios, os Tibérios, os Vespasianos, os Titos, os Trajanos, que é deles? Nunc omnia pulvis: tudo pó; Nunc omnia favillae: tudo cinza; Nunc in paucis versibus eorum memoria est.: não resta de todos eles outra memória, mais que os poucos versos das suas sepulturas. Meu Agostinho, também êsses versos que se liam então, já os não há: apagaram-se as letras, comeu o tempo as pedras; também as pedras morrem: Mors etiam saxis, nominibusque venit [11]. Oh! que memento este para Roma!
Já não digo como até agora: lembra-te homem que és pó levantado e hás de ser pó caído. O que digo é: lembra-te Roma que és pó levantado, e que és pó caído juntamente. Olha Roma daqui para baixo, e ver-te-ás caída e sepultada debaixo de ti; olha Roma de lá para cima, e ver-te-ás levantada e pendente em cima de ti. Roma sobre Roma, e Roma debaixo de Roma. Nas margens do Tibre, a Roma que se vê para cima, vê-se também para baixo; mas aquilo são sombras. Aqui a Roma que se vê em cima, vê-se também embaixo, e não é engano da vista, senão verdade; a cidade sobre as ruínas, o corpo sobre o cadáver, a Roma viva sobre a morta. Que coisa é Roma senão um sepulcro de si mesma? Embaixo as cinzas, em cima a estátua; embaixo os ossos, em cima o vulto. Este vulto, esta majestade, esta grandeza é a imagem, e só a imagem, do que está debaixo da terra. Ordenou a Providência divina que Roma fosse tantas vezes destruída, e depois edificada sobre suas ruínas, para que a cabeça do mundo tivesse uma caveira em que se ver. Um homem pode-se ver na caveira de outro homem; a cabeça do mundo não se podia ver senão na sua própria caveira. Que é Roma levantada? A cabeça do mundo. Que é Roma caída? A caveira do mundo. Que são esses pedaços de Termas e Coliseus senão os ossos rotos e truncados desta grande caveira? E que são essas colunas, essas agulhas desenterradas, senão os dentes, mais duros, desencaixados dela! Oh! que sisuda seria a cabeça do mundo se se visse bem na sua caveira!
Nabuco, depois de ver a estátua convertida em pó, edificou outra estátua. Louco! Que é o que te disse o profeta? Tu rex es caput: Tu, rei, és a cabeça da estátua (Dn 2, 38). Pois se tu és a cabeça, e estás vivo, olhe a cabeça viva para a cabeça defunta, olhe a cabeça levantada para a cabeça caída, olhe a cabeça para a caveira. Oh! se Roma fizesse o que não soube fazer Nabuco! Oh! se a cabeça do mundo olhasse para a caveira do mundo! A caveira é maior que a cabeça para que tenha menos lugar a vaidade, e maior matéria o desengano. Isto fui, e isto sou? Nisto parou a grandeza daquele imenso todo, de que hoje sou tão pequena parte? Nisto parou. E o pior é, Roma minha, se me dás licença para que to diga, que não há de parar só nisto. Este destroço e estas ruínas que vês tuas, não são as últimas: ainda te espera outra antes do fim do mundo profetizado nas Escrituras. Aquela Babilônia de que fala S. João, quando diz no Apocalipse: Cecidit, cecidit Babylon (Ap 14, 8), é Roma, não pelo que hoje é, senão pelo que há de ser. Assim o entendem S. Jerônimo, S. Agostinho, S. Ambrósio, Tertuliano, Ecumênio, Cassiodoro, e outros Padres, a quem seguem concordemente intérpretes e teólogos [12]. Roma, a espiritual, é eterna, porque Portae inferi non praevalebunt adversus eam [13]. Mas Roma, a temporal, sujeita está como as outras metrópoles das monarquias, e não só sujeita, mas condenada à catástrofe das coisas mudáveis e aos eclipses do tempo. Nas tuas ruínas vês o que foste, nos teus oráculos lês o que hás de ser, e se queres fazer verdadeiro juízo de ti mesma pelo que foste e pelo que hás de ser, estima o que és.
Nesta mesma roda natural das coisas humanas, descobriu a sabedoria de Salomão dois espelhos recíprocos, que podemos chamar do tempo, em que se vê facilmente o que foi e o que há de ser. Quid est quod fuit? Ipsum quod futurum est. Quid est quod factum est? Ipsum quod faciendum est: Que é o que foi? Aquilo mesmo que há de ser. Que é o que há de ser? Aquilo mesmo que foi (Ecl 1, 9). Ponde estes dois espelhos um defronte do outro, e assim como os raios do ocaso ferem o oriente e os do oriente o ocaso, assim, por reverberação natural e recíproca, achareis que no espelho do passado se vê o que há de ser, e no do futuro o que foi. Se quereis ver o futuro, lede as histórias e olhai para o passado; se quereis ver o passado, lede as profecias e olhai para o futuro. E quem quiser ver o presente, para onde há de olhar? Não o disse Salomão, mas eu o direi. Digo que olhe juntamente para um e para outro espelho. Olhai para o passado e para o futuro, e vereis o presente. A razão ou conseqüência é manifesta. Se no passado se vê o futuro, e no futuro se vê o passado, segue-se que no passado e no futuro se vê o presente, porque o presente é o futuro do passado, e o mesmo presente é o passado do futuro. Quid est quod fuit? Ipsum quod futurum est. Quid est quod est? Ipsum quod fuit et quod futurum est. Roma, o que foste, isso hás de ser; e o que foste, e o que hás de ser, isso és. Vê-te bem nestes dois espelhos do tempo, e conhecer-te-ás. E se a verdade deste desengano tem lugar nas pedras, quanto mais nos homens. No passado foste pó? No futuro hás de ser pó? Logo, no presente és pó: Pulvis es.
VI
O memento dos mortos: lembre-se o pó caído que há de ser pó levantado. O pó que foi homem, há de tornar a ser homem. Jó compara-se à fênix e não à águia. O autor não teme a morte, teme a imortalidade, já reconhecida pelos filósofos pagãos. Nem vivemos como mortais, nem vivemos como imortais. A observação de Sêneca.
Este foi o memento dos vivos; acabo com o memento dos mortos. Aos vivos disse: lembre-se o pó levantado que há de ser pó caído. Aos mortos digo: lembre-se o pó caído que há de ser pó levantado. Ninguém morre para estar sempre morto; por isso a morte nas Escrituras se chama sono. Os vivos caem em terra com o sono da morte: os mortos jazem na sepultura dormindo, sem movimento nem sentido, aquele profundo e dilatado letargo; mas quando o pregão da trombeta final os chamar a juízo, todos hão de acordar e levantar-se outra vez. Então dirá cada um com Davi: Ego dormivi, et soporatus sum, et resurrexi [14]. Lembre-se pois o pó caído que há de ser pó levantado.
Este segundo memento é muito mais terrível que o primeiro. Aos vivos disse: Memento homo quia pulvis es, et in pulverem reverteris; aos mortos digo com as palavras trocadas, mas com sentido igualmente verdadeiro: Memento pulvis quia homo es, et in hominem reverteris: lembra-te pó que és homem, e que em homem te hás de tornar. Os que me ouviram já sabem que cada um é o que foi e o que há de ser. Tu que jazes nesta sepultura, sabe-o agora. Eu vivo, tu estás morto; eu falo, tu estás mudo; mas assim como eu sendo homem, porque fui pó, e hei de tornar a ser pó, sou pó, assim tu, sendo pó, porque foste homem, e hás de tornar a ser homem, és homem. Morre a águia, morre a fênix, mas a águia morta não é águia, a fênix morta é fênix. E por que? A águia morta não é águia porque foi águia, mas não há de tornar a ser águia. A fênix morta é fênix, porque foi fênix, e há de tornar a ser fênix. Assim és tu que jazes nessa sepultura. Morto sim, desfeito em cinzas sim, mas em cinzas como as da fênix. A fênix desfeita em cinzas é fênix, porque foi fênix, e há de tornar a ser fênix. E tu desfeito também em cinzas és homem, porque foste homem, e hás de tornar a ser homem. Não é a proposição, nem comparação minha, senão da Sabedoria e Verdade eterna. Ouçam os mortos a um morto que melhor que todos os vivos conheceu e pregou a fé da imortalidade. In nidulo meo moriar, et sicut phoenix multiplicabo dies meos: Morrerei no meu ninho, diz Jó, e como fênix multiplicarei os meus dias [15]. Os dias soma-os a vida, diminui-os a morte e multiplica-los a ressurreição. Por isso Jó como vivo, como morto e como imortal se compara à fênix. Bem pudera este grande herói, pois chamou ninho à sua sepultura, comparar-se à rainha das aves, como rei que era.
Mas falando de si e conosco naquela medida em que todos somos iguais, não se comparou à águia, senão à fênix, porque o nascer águia é fortuna de poucos, o renascer fênix é natureza de todos. Todos nascemos pare morrer, e todos morremos para ressuscitar. Para nascer antes de ser, tivemos necessidade de pai e mãe que nos gerasse; pare renascer depois de morrer, como a fênix, o mesmo pó em que se corrompeu e desfez o corpo, é o pai e a mãe de que havemos de tornar a ser gerados. Putredini dixi: pater meus es, mater mea, et soror mea vermibus [16]. Sendo pois igualmente certa esta segunda metamorfose, como a primeira, preguemos também aos mortos, como pregou Ezequiel, para que nos ouçam mortos e vivos (Ez 37, 4). Se dissemos aos vivos: lembra-te homem que és pó, porque foste pó, e hás de tornar a ser pó — brademos com a mesma verdade aos mortos que já são pó: lembra-te pó que és homem porque foste homem, e hás de tornar a ser homem: Memento pulvis quia homo es, et in hominem reverteris.
Senhores meus, não seja isto cerimônia: falemos muito seriamente, que o dia é disso. Ou cremos que somos imortais, ou não. Se o homem acaba com o pó, não tenho que dizer; mas se o pó há de tornar a ser homem, não sei o que vos diga, nem o que me diga. A mim não me.faz medo o pó que hei de ser; faz medo o que há de ser o pó. Eu não temo na morte a morte, temo a imortalidade; eu não temo hoje o dia de cinza, temo hoje o dia de Páscoa, porque sei que hei de ressuscitar, porque sei que hei de viver para sempre, porque sei que me espera uma eternidade, ou no céu, ou no inferno. Scio enim quod Redemptor meus vivit, et in novissimo die de terra surrecturus sum [17]. Scio, diz. Notai. Não diz: Creio, senão, Scio, sei. Porque a verdade e certeza da imortalidade do homem não só é fé, senão também ciência. Por ciência e por razão natural a conheceram Platão, Aristóteles e tantos outros filósofos gentios [18]. Mas que importava que o não alcançasse a razão onde está a fé? Que importa a autoridade dos homens onde está o testemunho de Deus? O pó daquela sepultura está clamando: De terra surrecturus sum, et rursum circumdabor pelle mea, et in carne mea videbo Deum meum, quem visurus sum ego ipse, et oculi mei conspecturi sunt, et non alius [19]. Este homem, este corpo, estes ossos, esta carne, esta pele, estes olhos, este eu, e não outro, é o que há de morrer? Sim; mas reviver e ressuscitar à imortalidade. Mortal até o pó, mas depois do pó, imortal. Credis hoc? Utique, Domine [20]. Pois que efeito faz em nós este conhecimento da morte, e esta fé da imortalidade?
Quando considero na vida que se usa, acho que não vivemos como mortais, nem vivemos como imortais. Não vivemos como mortais, porque tratamos das coisas desta vida como se esta vida fora eterna. Não vivemos como imortais, porque nos esquecemos tanto da vida eterna, como se não houvera tal vida. Se esta vida fora imortal, e nós imortais, que havíamos de fazer, senão o que fazemos? Estai comigo. Se Deus, assim como fez um Adão, fizera dois, e o segundo fora mais sisudo que o nosso, nós havíamos de ser mortais como somos, e os filhos de outro Adão haviam de ser imortais. E estes homens imortais, que haviam de fazer neste mundo? Isto mesmo que nós fazemos. Depois que não coubessem no Paraíso, e se fossem multiplicando, haviam-se de estender pela terra, haviam de conduzir de todas as partes do mundo todo o bom, precioso e deleitoso que Deus para eles tinha criado, haviam de ordenar cidades e palácios, quintas, jardins, fontes, delícias, banquetes, representações, músicas, festas, e tudo aquilo que pudesse formar uma vida alegre e deleitosa. Não é isto o que nós fazemos? E muito mais do que eles haviam de fazer, porque o haviam de fazer com justiça, com razão, com modéstia, com temperança; sem luxo, sem soberba, sem ambição, sem inveja; e com concórdia, com caridade, com humanidade. Mas como se ririam de nós, e como pasmariam de nós aqueles homens imortais! Como se ririam das nossas loucuras, como pasmariam da nossa cegueira, vendo-nos tão ocupados, tão solícitos, tão desvelados pela nossa vidazinha de dois dias, e tão esquecidos, e descuidados da morte, como se fôramos tão imortais como eles! Eles sem dor, nem enfermidade; nós enfermos e gemendo; eles vivendo sempre, nós morrendo; eles não sabendo o nome à sepultura, nós enterrando uns a outros; eles gozando o mundo em paz, e nós fazendo demandas e guerras pelo que não havemos de gozar. Homenzinhos miseráveis — haviam de dizer — homenzinhos miseráveis, loucos, insensatos; não vedes que sois mortais? Não vedes que haveis de acabar amanhã? Não vedes que vos hão de meter debaixo de uma sepultura, e que de tudo quanto andais afanando e adquirindo, não haveis de lograr mais que sete pés de terra? Que doidice, que cegueira é logo a vossa? Não sendo como nós, quereis viver como nós? — Assim é. Morimur ut mortales, vivimus ut immortales: morreremos como mortais que somos, e vivemos como se fôramos imortais [21]. Assim o dizia Sêneca gentio à Roma gentia. Vós a isto dizeis que Sêneca era um estóico. E não é mais ser cristão que ser estóico? Sêneca não conhecia a imortalidade da alma; o mais a que chegou foi a duvidá-la, e contudo entendia isto.
VII
Cuidar da vida imortal. As duas portas da morte. Opinião de Aristóteles . A escada do sonho de Jacó. No momento da morte não se teme a morte, teme-se a vida. Resolução.
Ora, senhores, já que somos cristãos, já que sabemos que havemos de morrer e que somos imortais, saibamos usar da morte e da imortalidade. Tratemos desta vida como mortais, e da outra como imortais. Pode haver loucura mais rematada, pode haver cegueira mais cega que empregar-me todo na vida que há de acabar, e não tratar da vida que há de durar para sempre? Cansar-me, afligir-me, matar-me pelo que forçosamente hei de deixar, e do que hei de lograr ou perder para sempre, não fazer nenhum caso! Tantas diligências para esta vida, nenhuma diligência para a outra vida? Tanto medo, tanto receio da morte temporal, e da eterna nenhum temor? Mortos, mortos, desenganai estes vivos. Dizei-nos que pensamentos e que sentimentos foram os vossos quando entrastes e saístes pelas portas da morte? A morte tem duas portas: Qui exaltas me de portis mortis [22]. Uma porta de vidro, por onde se sai da vida, outra porta de diamante, por onde se entra à eternidade. Entre estas duas portas se acha subitamente um homem no instante da morte, sem poder tornar atrás, nem parar, nem fugir, nem dilatar, senão entrar para onde não sabe, e para sempre. Oh! que transe tão apertado! Oh! que passo tão estreito! Oh! que momento tão terrível! Aristóteles disse que entre todas as coisas terríveis, a mais terrível é a morte. Disse bem mas não entendeu o que disse. Não é terrível a morte pela vida que acaba, senão pela eternidade que começa. Não é terrível a porta por onde se sai; a terrível é a porta por onde se entra. Se olhais para cima, uma escada que chega até o céu; se olhais para baixo, um precipício que vai parar no inferno, e isto incerto.
Dormindo Jacó sobre uma pedra, viu aquela escada que chegava da terra até o céu, e acordou atônito gritando: Terribilis est locus iste! Oh! que terrível lugar é este (Gn 18, 17)! E por que é terrível, Jacó? Non est hic aliud nisi domus Dei et porta caeli: Porque isto não é outra coisa senão a porta do céu. — Pois a porta do céu, a porta da bem-aventurança é terrível? Sim. Porque é uma porta que se pode abrir e que se pode fechar. É aquela porta, que se abriu para as cinco virgens prudentes, e que se fechou para as cinco néscias: Et clausa est janua (Mt 25, 10). E se esta porta é terrível para quem olha só para cima, quão terrível será para quem olhar para cima e mais para baixo? Se é terrível para quem olha só para o céu, quanto mais terrível será para quem olhar para o céu e para o inferno juntamente? Este é o mistério de toda a escada, em que Jacó não reparou inteiramente, como quem estava dormindo. Bem viu Jacó que pela escada subiam e desciam anjos, mas não reparou que aquela escada tinha mais degraus para descer que para subir: para subir era escada da terra até o céu, para descer era escada do céu até o inferno; para subir era escada por onde subiram anjos a ser bem-aventurados, para descer era escada por onde desceram anjos a ser demônios. Terrível escada para quem não sobe, porque perde o céu e a vista de Deus, e mais terrível para quem desce, porque não só perdeu o céu e a vista de Deus, mas vai arder no inferno eternamente. Esta é a visão mais que terrível que todos havemos de ver; este o lugar mais que terrível por onde todos havemos de passar, e por onde já passaram todos os que ali jazem. Jacó jazia sobre a pedra; ali a pedra jaz sobre Jacó, ou Jacó debaixo da pedra. Já dormiram o seu sono: Dormierunt somnum suum (Sl 75, 6); já viram aquela visão; já subiram ou desceram pela escada. Se estão no céu ou no inferno, Deus o sabe; mas tudo se averiguou naquele momento.
Oh! que momento, torno a dizer, oh! que passo, oh! que transe tão terrível! Oh que temores, oh! que aflição, oh! que angústias! Ali, senhores, não se teme a morte, teme-se a vida. Tudo o que ali dá pena, é tudo o que nesta vida deu gosto, e tudo o que buscamos por nosso gosto, muitas vezes com tantas penas. Oh! que diferentes parecerão então todas as coisas desta vida! Que verdades, que desenganos, que luzes tão claras de tudo o que neste mundo nos cega! Nenhum homem há naquele ponto que não desejara muito uma de duas: ou não ter nascido, ou tornar a nascer de novo, para fazer uma vida muito diferente. Mas já é tarde, já não há tempo: Quia tempus non erit amplius (Apc 10, 6). Cristãos e senhores meus, por misericórdia de Deus ainda estamos em tempo. É certo que todos caminhamos para aquele passo, é infalível que todos havemos de chegar, e todos nos havemos de ver naquele terrível momento, e pode ser que muito cedo. Julgue cada um de nós, se será melhor arrepender-se agora, ou deixar o arrependimento para quando não tenha lugar, nem seja arrependimento. Deus nos avisa, Deus nos dá estas vozes; não deixemos passar esta inspiração, que não sabemos se será a última. Se então havemos de desejar em vão começar outra vida, comecemo-la agora: Dixi: nunc caepi [23]. Comecemos de hoje em diante a viver como quereremos ter vivido na hora da morte. Vive assim como quiseras ter vivido quando morras. Oh! que consolação tão grande será então a nossa, se o fizermos assim! E pelo contrário, que desconsolação tão irremediável e tão desesperada, se nos deixarmos levar da corrente, quando nos acharmos onde ela nos leva! É possível que me condenei por minha culpa e por minha vontade, e conhecendo muito bem o que agora experimento sem nenhum remédio? É possível que por uma cegueira de que me não quis apartar, por um apetite que passou em um momento, hei de arder no inferno enquanto Deus for Deus? Cuidemos nisto, cristãos, cuidemos nisto. Em que cuidamos, e em que não cuidamos? Homens mortais, homens imortais, se todos os dias podemos morrer, se cada dia nos imos chegando mais à morte, e ela a nós, não se acabe com este dia a memória da morte. Resolução, resolução uma vez, que sem resolução nada se faz. E para que esta resolução dure e não seja como outras, tomemos cada dia uma hora em que cuidemos bem naquela hora. De vinte e quatro horas que tem o dia, por que se não dará uma hora à triste alma? Esta é a melhor devoção e mais útil penitência, e mais agradável a Deus, que podeis fazer nesta quaresma. Tomar uma hora cada dia, em que só por só com Deus e conosco cuidemos na nossa morte e na nossa vida. E porque espero da vossa piedade e do vosso juízo que aceitareis este bom conselho, quero acabar deixando-vos quatro pontos de consideração para os quatro quartos desta hora. Primeiro: quanto tenho vivido? Segundo: como vivi? Terceiro: quanto posso viver? Quarto: como é bem que viva? Torno a dizer para que vos fique na memória: Quanto tenho vivido? Como vivi? Quanto posso viver? Como é bem que viva? Memento homo!
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Notas:
[1] Augustinus in sentent. ultima.
[2] Aquele que é, e que era, e que há de vir (Apc 1,4).
[3] Eu disse : Sois deuses... Mas vós, como homens, morrereis ( Sl 81,6s).
[4] Desde o ventre trasladado para a sepultura (Jó 10,19).
[5] Mas vós como homens morrereis, e caireis como um dos príncipes (Sl 81,7).
[6] Moço, eu te mando: levanta-te (Lc 7,14).
[7] Não dês crédito ao demasiado colorido.
[8] Hieronymus hic in quaest. Hebraic. Lyran. Hugo Abul. etc.
[9] Augustinus in sentent. ultima.
[10] Aug. ibid.
[11] Também as pedras e os nomes morrem.
[12] Hier. Aug. Ambr. Tertullian. Ecumen. Cassiod. Bellar. Suar. et plures apud Cornelium ibi.
[13] As portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16,18).
[14] Eu dormi e estive sepultado no sono, e levantei-me (Sl 3,6)
[15] In textu graeco Job 29, 18.
[16] Eu disse à podridão: Tu és meu pai; e aos bichos: Vós sois minha mãe e minha irmã. (Jó 17, 14)
[17] Porque eu sei que o meu Remidor vive, eu no derradeiro dia surgirei da terra (Jó 19,25).
[18] Plat. in Timaeo. Philabo Menon. Et lib. de Rep. Aristotel. I de Anima cap. 4 et lib. 3, cap. 4 et lib. 2 de Gen. anim.
[19] Surgirei da terra, e serei novamente revestido da minha pele, e na minha própria carne verei a meu Deus, a quem eu mesmo hei de ver e meus olhos hão de contemplar, e não outro (Jó 19,25 ss).
[20] Crês isto? Sim, Senhor (Jo 11,26).
[21] Seneca. De Consolat. ad Marciam Ep. 57 et Ep. 117.
[22] Tu que me retiras das portas da morte (Sl 9,15).
[23] Disse: Agora começo (Sl 76,11).
fevereiro 11, 2008
Lenda indigena - Os lobos que vivem em nós
Ele disse:
- Meu filho, a batalha é entre dois "lobos" dentro de todos nós .
Um é o Mau . É a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, mentiras, orgulho falso e superioridade .
O outro é Bom . É alegria, paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé .
O neto pensou naquilo por alguns minutos ... e perguntou ao seu avô :
- Qual lobo vence ?
O velho índio simplesmente respondeu :
- O que você alimenta.
janeiro 25, 2008
Escancaro meu coração para essa cidade

Parabéns, São Paulo...
São Paulo que verdadeiramente eu amo.
O corre-corre, essa mistura de raças, de sotaques, de credos. Essa pressa de viver e de morrer. Sangues e amores, aristocracia e miséria, pratos, doces.
São Paulo do meu Corinthians, um time que nasceu à luz de lampião no no bairro Bom Retiro .
O Pacaembú, o Morumbí.O largo São Francisco da Faculdade onde estudou o baiano Castro Alves. A esquina que o outro poeta baiano - Caetano - cantou. A favela. A periferia. A Paulista, A Luz.O Brás.
O Jaçanã... - aquele Jaçanã do trem das 11. - Ah! Adoniran, quanta saudade de quando você ia receber seus direitos autorais lá na Quintino Bocaiuva e depois sentava na Relojoaria Regina tirava o chapéu, e começava um papo sempre da mesma maneira;- Dá um cigarro aí, moleque.- Pois é, velho, hoje eu larguei o cigarro e você a vida. A sua benção paulistana aí do céu!
A Sé. Rua Direita, o mercado, o Tietê (que dó), Ibirapuera, Jardins, o MASP, o Arena...
Tantos cantinhos desta cidade por falar, mas hoje, um especial há de ser lembrado. Onde tudo começou. O Páteo do Colégio.
Um dia me sentei lá num banco, olhei aquele muro comido por quatrocentos e tantos anos e fiquei imaginando os indios e os jesuitas ali, trabalhando arduamente, colocando pedra por pedra, cercados por um imenso verde, próximo daquele vale.
Indios e padres. E uma imensidâo verde.
Ouviam pássaros e o vento. Catavam estrelas com as mãos.As mesmas mãos que carregavam as pedras e cortavam as árvores para construir uma pequena igreja.
Eles não sabiam que ali, com suas mãos estavam iniciando uma das maiores metrópoles do mundo! Eles não sabiam que estavam ali em poucas pessoas, preparando a vida de milhôes outras de pessoas que pisariam aquele mesmo solo nos próximos séculos. O solo sagrado de São Paulo de Piratininga, onde eu nasci, vivi e certamente vou morrer. Mas enquanto vivo, vou aqui morrendo de amores por esta terra cinzentamente linda, da garoa e do trabalho.
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Pouca gente sabe...Mas o Sinaleiro Amarelo nasceu num dos cruzamentos desta cidade. Tudo começou assim:
"O motivo? O sinaleiro estava amarelo e eu parei o carro. Era manhã de segunda feira Eu olhei para frente e o sinaleiro estava mudando do verde para o amarelo. O guarda que comanda o trânsito na esquina da Prestes Maia com a Senador Queiróz estava com um "jeitão" todo especial.
O talão de multas não estava na sua mão e ele estava com cara de bons amigos.
Eu passaria tranqüilamente com o sinaleiro amarelo, sem maiores conseqüências, mas eu resolvi parar. Era cedo ainda e a música da FM era tranqüila... um programa matinal de música erudita que estava apresentando um recital de cravo.
A musica me transmitia paz interior e por esse motivo, eu não ia pisar no acelerador do carro como um doido varrido somente para ganhar uns minutinhos.
...Pelo meu lado direito aproximou-se então um negrinho com um baldinho de água e um rodinho para "limpar" o pára-brisas.
Eu odeio negrinhos de baldinhos e rodinhos limpando pára-brisas do meu carro na esquina da Prestes Maia com a Senador Queiroz. Não que eu tenha algo contra os negrinhos, não ! Se fosse um branquinho, eu odiaria um branquinho de baldinho e rodinho
limpando o meu pára-brisas na esquina da Prestes Maia com a Senador ou em qualquer droga de esquina da cidade. Também não é pela gorjeta que teria que dar. Não. É claro que não!
Mas é que a água e o rodinho estão tão sujos que quando a água seca, o pára-brisas do carro fica todo marcado e seboso.
Eu não consigo andar com o pára-brisas do carro marcado e seboso!!!
Então o que acontece é que além da gorjeta eu sou obrigado a deixar o carro no posto para lavar por causa do maldito baldinho, da maldita água suja e do maldito rodinho!
E todas as vezes que eu preciso deixar o carro no posto eu fico nervoso. Quer saber por que?"
Você acaba de ler trechos do livro - O Sinaleiro Amarelo e outras rabularias - publicado em 1999, e que em janeiro de 2003 daria o nome a este blog. O livro nesse trecho, conta uma cena típica da cidade de São Paulo.
Hoje o Sinaleiro Amarelo foi para o palco. Dia 05/03 estaremos nos apresentando em Mogi da Cruzes... Visite nosso site e veja onde serão outras apresentações...
Assista a seguiir um trecho da peça.
Para contratar acesse o site.
© Nelson Natalino - janeiro 2004
janeiro 18, 2008
Ajude o nosso planeta. Recicle!

É isso mesmo! A partir de agora as Agências do Banco Real e as lojas do Pão de Açúcar estão com programa de reciclagem.
Sabe aquelas pilhas e baterias usadas que não sabemos o que fazer com elas?
Pois é, agora está fácil! Basta levá-las a qualquer agência do Banco Real e colocá-las no Papa-pilhas.
As pilhas e baterias de celulares, câmeras digitais, controle remoto, relógios, etc, etc... contém materiais que contaminam o solo e os lençóis freáticos deixando-os impróprios para utilização, podendo provocar problemas à saúde, como danos para os rins, fígado e pulmões.
São eles: cádmio, mercúrio, níquel, chumbo, etc.
Não esqueça: o Papa-pilhas está disponível em todas as unidades do Banco Real.
Também já temos onde levar o óleo de cozinha usado para reciclar! As lojas do Pão de Açúcar, que já reciclam outros tipos de lixo, como papel, vidro, plástico e metal, reciclarão também óleo de cozinha!
Você sabia que apenas 1 litro de óleo despejado no esgoto polui cerca de um milhão de litros de água ou o que uma pessoa consome em 14 anos de vida? E ainda provoca a impermeabilização dos leitos e terrenos próximos, contribuindo para a ocorrência de enchentes.
Como fazer:
Depois que o óleo usado esfriar, armazene em uma garrafa plástica daquelas de 2 litros, se possível transparente. Tampe bem a garrafa e deposite-a no coletor de lixo de cor marrom da loja Pão de Açúcar, indicado para esta finalidade.
Todo óleo de cozinha coletado será encaminhado pela cooperativa às empresas recicladoras, que o utilizarão como matéria-prima para a produção de biocombustível.
Independentemente disso, pare imediatamente de jogar óleo pelo esgoto Armazene em garrafas e jogue no lixo reciclável, e não nos rios!
Se você quer ajudar mais:
Divulgue este e-mail para todos os seus contatos, orkut, etc...
Pegue folhetos informativos nas lojas Pão de Açúcar (de onde foi tirado este texto) e distribua para vizinhos, amigos e parentes).
É assim que ajudamos o planeta!
dezembro 10, 2007
Órgão do Mar
Veja a estrutura interna das escadas e o detalhamento das cordas e notas musicais que somadas a energia das ondas criam sons:

As lacunas no concreto servem para o Órgão 'respirar' e também para levar os sons criados nas tubulações

Assista e ouça no vídeo abaixo as notas musicais criadas num instrumento criado pelo homem e tocado pela natureza.
Material recebido da amiga Olivia Camargo
dezembro 07, 2007
Minhas peças no Youtube
Para que você possa assistir um pouco dos espetáculos, disponibilizamos no Youtube uma sinopse dO Sinaleiro Amarelo...
e de Tutti Buona Gente.
Se gostar, recomende aos amigos... se não gostar, aos inimigos.
novembro 30, 2007
novembro 16, 2007
novembro 06, 2007
A Língua Portuguesa agradece
Recebi da Amelia repassoa para vocês:
Mesmo que você saiba de todas essas formas corretas, passe adiante, pode ser útil para outras pessoas.
Nunca diga:
- Menas (sempre menos)
- Iorgute (iogurte)
- Mortandela (mortadela)
- Mendingo (mendigo)
- Trabisseiro (travesseiro) - essa é de doer, hein!
- Cardaço (cadarço)
- Asterístico (asterisco)
- Meia cansada (meio cansada)
E lembre-se:
- Mal - Bem
- Mau - Bom
Trezentas gramas (a grama pode ser de um pasto). Se você quer falar de peso, então é O grama: trezentOs gramas.
- Di menor, di maior (é simplesmente maior ou menor de idade).
- Beneficiente (beneficente - lembre-se de Beneficência Portuguesa)
- O certo é BASCULANTE e não VASCULHANTE, aquela janela do banheiro ou da cozinha.
Se você estiver com muito calor, poderá dizer que está "suando" (com u) e não "soando", pois quem "soa" é sino !
- A casa é GEMINADA (do latim geminare = duplicar) e não GERMINADA que vem de germinar, nascer, brotar.
- O peixe tem ESPINHA (espinha dorsal) e não ESPINHO. Plantas têm espinhos.
- Homens dizem OBRIGADO e mulheres OBRIGADA.
"FAZ dois anos que não o vejo“ e não “FAZEM dois anos”
- "HAVIA muitas pessoas no local" e não "HAVIAM”
- "PODE HAVER problemas" e não "PODEM HAVER...." (os verbos fazer e haver são impessoais!!)
- PROBLEMA e não POBLEMA ou POBREMA (deixe isso para o Zé Dirceu)
- A PARTIR e não À PARTIR
-O certo é HAJA VISTA (que se oferece à vista) e não HAJA VISTO.
- POR ISSO e não PORISSO (muito comum nas páginas de recado do orkut, junto com o AGENTE pode marcar algo... Se é um agente, ele pode ser secreto, aduaneiro, de viagens...) A GENTE = NÓS
- O certo é CUSPIR e não GOSPIR.
- HALL é RÓL não RAU, nem AU.
Para EU fazer, para EU comprar, para EU comer e não para MIM fazer, para mim comprar ou para mim comer...
(mim não conjuga verbo, apenas "eu, tu, eles, nós, vós, eles")
- Você pode ficar com dó (ou com um dó) de alguém, mas nunca com "uma dó"; a palavra dó no feminino é só a nota musical (do, ré, mi, etc etc.)
- As pronúncias: CD-ROM é igual a ROMA sem o A. Não é CD-RUM (nem CD-pinga, CD-vodka etc). ROM é abreviatura de Read Only Memory - memória apenas para leitura.
E agora, o horror divulgado pelo pessoal do TELEMARKETING:
Não é
“eu vou ESTAR mandando”
“vou ESTAR passando”
“vou ESTAR verificando”
E sim
eu vou MANDAR
vou PASSAR
vou VERIFICAR
(muito mais simples, mais elegante e CORRETO).
Da mesma forma é incorreto perguntar: COM QUEM VOCÊ QUER ESTAR FALANDO?
- Veja como é o correto e mais simples: COM QUEM VOCÊ QUER FALAR?
- Ao telefone não use: Quem gostaria? (É de matar...)
- Não use: peraí, agüenta aí, só um pouquinho (prefira: Aguarde um momento, por favor)
- Por último, e talvez a pior de todas: Por favor, arranquem os malditos SEJE e ESTEJE do seu vocabulário (estas palavras não existem!!)
- Não é elegante você tratar ao telefone, pessoas que não conhece, utilizando termos como: querido(a), meu filho(a), meu bem, amigo(a)... (a não ser que você esteja ironizando-a(o).
Utilize o nome da pessoa ou a forma de tratamento senhor ou senhora.
outubro 27, 2007
Obrigado ao público que compareceu para assistir O Sinaleiro Amarelo.
Gostaria de agradecer ao público que compareceu ao Teatro Nelson Rodrigues ontem, superando as nossas expectativas, tendo em vista o caos que São Paulo se encontrava ontem .
O Adilson também ficou preso no trânsito e ainda bem que saiu de casa com bastante antecedência, pois senão haveria atraso para o início da peça.
Foi gratificante a resposta do público que compareceu, rindo muito e aplaudindo entusiasticamente a competente interpretação do Adilson.
Na pesquisa que distribuimos obtivemos 96% de excelente e 4% de ótimo nas avaliações. Fantástico!
Obrigado a todos. Agora São Paulo em 2008. Até lá, Com Tutti Buona Gente e com O Sinaleiro Amarelo.
Baitabraço.
outubro 23, 2007
Última apresentação do Sinaleiro Amarelo no Teatro Nelson Rodrigues
Esta é a última oportunidade para assistir ao Sinaleiro Amarelo – uma fotonovela teatral, em Guarulhos, no Teatro Nelson Rodrigues.
Uma interpretação solo de Adilson Jr., num espetáculo multimídia.
A apresentação será dia no próximo dia 26 sexta-feira, às 21 horas. Venha assistir.
Ingressos a preços populares:
Inteira R$ 10,00 e meia a R$ 5,00.
Leia a sinopse abaixo:

Para mais informações acesse o site da peça clicando aqui.
outubro 17, 2007
Mais duas semanas de espetáculos em Guarulhos
Nesta sexta-feita, às 20:30 hs. estaremos com o Marcos Plonka ( o Samuel Blausntein da Escolinha do Prof. Raimundo) no Teatro Nelson Rodrigues. Venha rir com as piadas inteligentes do humor judeu de Plonka.

Quier pagar mais barato? Clique e imprima a filipeta
Na proxima sexta-feira dis 26 é novamente a vez do Sinaleiro no Teatro.
A estréia do Sinaleiro Amarelo foi um sucesso, o público adorou o formato da fotonovela teatral e também o final surpreendente.
Se você ainda não assistiu essa experiência única venha ver a última apresentação dia 26/10 no Teatro Nelson Rodrigues em frente ao Lago dos Patos em Guarulhos.
No convite está marcado para começar as 20:30h, mas devido ao velho trânsito de São Paulo, somente na sexta-feira dia 26/10, vamos começar as 21:00h, para vc chegar bem tranquilo ao Teatro e curtir O Sinaleiro Amarelo.
outubro 13, 2007
A Janela

Há que ser caiada no mesmo vai e vem indolente das cerdas na parede de tijolos, sem que nem mesmo se perceba a abrupta mudança do material e do relevo caiado.
Depois, enfia-se a brocha Nº 2 mergulhada na tina de cal, entre as saliências talhadas na madeira para que o branco se espalhe por igual. Duas demãos do mesmo processo.
Aguarda-se então, tempo suficiente para que a cal virgem misturada à água em partes exatas, firme a pintura e empreste a textura de sua alva candura à exigência dos olhares que nela hão de pousar.
Permite-se que no peitoril se coloque um pequeno vaso com um girassol, onde nas tardes mais lindas de primavera e nas manhãs mais frias de inverno, ao seu lado há de se debruçar uma donzela de olhos negros. A mesma, que abrirá a janela todos os dias assim que o sol raiar, quarto de hora após o canto do galo de plumagens vermelhas e crista orvalhada de pintas brancas.
Permite-se ainda que seja reproduzida em quadro de tinta à óleo. Desde que atenda a exigência de ser pintado com muito amor.
outubro 09, 2007
A TRAGÉDIA NEM SEMPRE É GREGA (revisitado)

Acho que faz tempo que isso acontece... Por isso Sófocles fez tanto sucesso.
Escreveu e encenou tragédias e o teatro era a única forma de comunicação em massa. Massa? Nem tanto. Naquela época, não havia rádio, TV, Internet, satélite, nada disso.
A tragédia era encenada, contada boca a boca, até que ia perdendo a força, perdendo o interesse e morria quando alguém simplesmente não se interessava pelo assunto e jogava a história no esquecimento.
O tempo com certeza destruiu muitos registros da nossa história e ainda hoje, certamente, caminhamos sobre milhões de informações que os anos soterraram.
De tragédia em tragédia, a humanidade caminha (pisando informações soterradas) a passos largos para onde? Ninguém arrisca um palpite. É difícil mesmo.
A lei do mais forte estará se instalando no planeta terra?
Os fatos estão mostrando isso. Mas por outro lado, apontam para grandes manifestações de paz, como nunca dantes registradas. Parece estar havendo uma conscientização humanitária para combater heróica e espiritualmente as expressões negativas que vem surgindo, como nós próprios estamos tetemunhando e registrando na nossa escrita visual e globalizada atual, para os nossos descendentes.
Estamos certamente passando por um período histórico de transição. E toda transição tem dois lados. Há necessidade de definirmos de que lado queremos estar e adotarmos nossas estratégias de ação.
Parece que os cavaleiros do apocalipse, não precisam necessariamente se apresentar ombro a ombro, nem tampouco num mesmo momento. Eles vem chegando, se alojando e deixando atrás de si rastros para serem seguidos.
Desta forma, essas tragédias que temos testemunhado nos últimos séculos parecem predecessoras de um tempo de paz e bonança, quando poderemos dizer: O paraíso é aqui. Porque aqui mora a felicidade. Ou não, como diria o Caetano.
outubro 03, 2007
Livro amigo...
Íamos sair, eu e a Bi, minha filha com síndrome de Chaplin. A dureza é que teríamos de encarar 2 horas de ônibus pela cidade. antes de sair, uma parada no corredor, de frente para a estante com os livros. Selecionei um entre aquels bons, separados para uma segunda leitura. Todas as festas felizes demais, me fez feliz novamente. Que festa! Assim o trânsito caótico pode rolar lá fora à vontade. Fui relendo meu amigo Fábio. Feliz. Como se fosse realmente uma festa. Você ainda não leu FDR????
outubro 02, 2007
Palavras ao vento

Talvez, para que ganhasse credibilidade, fosse necessária a intervenção de uma pena adornada pela pluma de um pavão, um tinteiro com tinta azul lavável, onde cuidadosamente a pena fosse mergulhada para transformar o azul royal líquido em palavra concreta, sob a tênue luz das velas espetadas em família de quatro no castiçal de prata escurecida. Houvesse ainda o complemento de uma túnica em tons de cinza jogada sobre o meu corpo magro, uma toalha de organdí puída pelo tempo jogada sobre a mesa, livros com seus títulos escondidos sob uma camada de poeira, chinelos com solado de couro e um globo com o velho Mediterrâneo voltado para a face norte, talvez se concedesse mais propriedade às palavras, antes que elas adentrassem no túnel infinito dos meios magnéticos.
Nós, os deuses mortais de carne, reinventamos a comunicação, o tempo e o meio.
Revisitamos a vida.
Reinventamos o jeito, onde sussuramos palavras digitais que se espalham em tempo real através de um megafone universal do tamanho do mundo.
Hoje, as palavras jogadas ao vento, desabam nas mesas de presidentes e sheiks, monarcas e putas, padres e donzelas e loucos, vagabundos e burocratas, enfim... se espalham como fogo na pólvora, sem bater na porta, sem pedir licença, sem aquele velho bornal encardido do mensageiro.
Nós reinventamos o papel do papel.
Mero figurante, se rende, humilde, sujeitando-se a ser tão somente eventual e reles portador das palavras.
Saudosista e melancólico estende seus olhos para trás e relembra o romantismo das cartas perfumadas entregues sorrateiramente.
Não é dado o direito, nem a mim nem a ninguém, a nenhum dos deuses mortais, do atrevimento de soprar e apagar as velas dos velhos castiçais. Não.
O tempo consome a vela.
Entre seitas, dógmas e parábolas, algum dia, um ancião, venerado entre os deuses, arrastará sua cadeira , riscando o assoalho com um rangido estridente, para sentar-se, escrever suas últimas palavras num velho e tosco caderno amarelado, fechará os olhos e aguardará que suas palavras ganhem a eternidade e a posteridade.
Quando o vento bater entre os espaços da veneziana, se dará ao trabalho que não nos é permitido.
E das trevas sempre se fará luz.

