julho 14, 2004

PALAVRAS NÃO DITAS

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Se me sinto assim, entre os demônios da vida,
Bastando-me só, porém de ti necessitado,
vem assombrar-me a vontade do grito calado
A maldade que vem e se cabe, de tão descabida
Não apraz olhar-se o vento pois nada se vê,
Ou cantar as canções que só ninam adultos
Nas sombras que aos olhos se fazem só vultos
Perdi-me outra vez sem nem como ou porquê
Conta-me a lua em ondas de luz
Segredos que alguém não ousou me contar
Contou dos demônios que vêm me atiçar
Da pele tão clara que vem e seduz
E é isso que me faz me perder
São as tuas palavras tão lidas, não ditas
Que vagam na mente sombrias, noturnas malditas
Que me mostram caminhos que não sei percorrer
Não quero bastar-me, tampouco eu quero
Que reste um perfume um desejo que reste
Uma sombra despida que aos poucos se veste
Ou um pedaço de ti, pois que inteira te espero

© Nelson Natalino - 2004
Todos os direitos reservados.

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Postado por Nelson Natalino em 06:27 PM | Comentários (313)