Eu olhei o que seria o horizonte.
Erguia-se frontalmente, esguio edifício. Mortalmente ele se erguia e me olhava com seus mil olhos fumê.
Me provocava e sorria com escárnio, prometendo engolir-me um dia. Digerir-me, como a um contr-filé mal passado.
Eu olhei o chão.
Cuspí.
Cuspí o progresso. O meu, inclusive.
O monstro negro inda me olhava, sereno e impassível.
Notei-lhe os umbrais.
Vomitava homens notórios.
Engolia notáveis senhoritas, qual rito mágico de oferenda a um Deus Inca.
Eu, parado na outra margem do rio de gente, com o meu pragmatismo idiota.
Quixote séculos avante.
Sem armas.
Sem poderes.
Desisti da luta.
Por que só eu notei?
Talvez porque eu queria apenas olhar o horizonte...
© by Nelson Natalino - 2003
~Confidências de um João de Barro -1988~
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