abril 02, 2004

Primavera Eterna de Paula Foschia do E.P.I.N.I.O.N.

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E pra matar um pouco mais da curiosidade , aí vai a orelha:

"Maia, a protagonista de Primavera Eterna, é uma publicitária de sucesso. Mas, para falar a verdade, isso não importa muito. Porque para Maia a carreira é mero acessório da felicidade que ela busca às cegas. Quando se dá conta do quanto está perdida, Maia resolve fazer da busca da felicidade algo mais visível. Mete-se num avião e, quando abre os olhos, percebe que está em Nova York, esperando Diogo, o menino que conhecera aos doze anos. E por quem, desde então, esteve apaixonada.

O livro de estréia de Paula Foschia é uma espécie de síntese do que se convencionou chamar de “literatura feminina”. Durante muito tempo, as mulheres que se aventuravam pelas letras ficaram estigmatizadas. Havia dois pólos: de um lado as mulheres que escreviam romances açucarados ou cheios de estrogênio e progesterona; de outro, mulheres que rompiam com a feminilidade e se mostravam agressivas, ansiosas e tentavam se igualar aos homens no que eles têm de pior.

A autora, contudo, sabe que este maniqueísmo é inútil. E traduz muito bem isso em Primavera Eterna, que é uma mistura do lirismo de Lygia Fagundes Telles com a reflexão de Clarice Lispector. Há, no entanto, dois ingredientes estranhos aí: um humor autodepreciativo (que nos remete aos bons romances do realismo brasileiro) e uma galhofa mais descarada, à la Millôr Fernandes.

Sem se prender ao seu tempo, Paula Foschia acaba por construir um romance que é atual e ao mesmo tempo antiquado. Sim, porque só pode ser chamado de antiquado (sem que isso seja uma injúria) um livro que fale de amor, escrito numa época em que as relações estão tão desgastadas. A busca de Maia é a busca de uma mulher independente, típica do século 21; mas o que ela busca é um sentimento de dois séculos atrás.

Primavera Eterna joga com nossas expectativas. É o romance que estamos querendo ler há muito tempo, mas não encontrávamos. Uma autora jovem, atualizada, mas também em contato com aquilo que o ser humano, seja ele homem ou mulher, tem de mais perene.

A viagem de Maia começa exatamente no momento em que abortamos os nossos anseios de felicidade. Ela arriscou. Vale a pena ler Primavera Eterna para saber a medida do risco, do fracasso ou do sucesso."


Postado por Nelson Natalino em abril 2, 2004 07:50 PM