A JANELA
Não basta apenas ser uma janela de uma folha com trinco único de correr , em ferro.
Há que ser caiada no mesmo vai e vem indolente das cerdas na parede de tijolos, sem que nem mesmo se perceba a abrupta mudança do material e do relevo caiado.
Depois, enfia-se a brocha Nº 2 mergulhada na tina de cal, entre as saliências talhadas na madeira para que o branco se espalhe por igual. Duas demãos do mesmo processo.
Aguarda-se então, tempo suficiente para que a cal virgem misturada à água em partes exatas, firme a pintura e empreste a textura de sua alva candura à exigência dos olhares que nela hão de pousar.
Permite-se que no peitoril se coloque um pequeno vaso com um girassol, onde nas tardes mais lindas de primavera e nas manhãs mais frias de inverno, ao seu lado há de se debruçar uma donzela de olhos negros. A mesma, que abrirá a janela todos os dias assim que o sol raiar, quarto de hora após o canto do galo de plumagens vermelhas e crista orvalhada de pintas brancas.
Permite-se ainda que seja reproduzida em quadro de tinta à óleo. Desde que atenda a exigência de ser pintado com muito amor.
© by Nelson Natalino - Julho 2003
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Postado por Nelson Natalino em
02:10 PM