O GALINÁCIOCIDA
Tão logo chegou à delegacia de policia, Marcelo foi chamado pelo delegado para prestar depoimento sobre o seu flagrante delito (Aurélio -[Do lat. delictu.] S. m. Flagrante delito. Delito (1) em cuja prática o agente é surpreendido)
O delegado olhou com desdém para Marcelo, como se ele fosse um bandido qualquer. Depois limpando sob as unhas com o cortador de unhas, sem erguer os olhos disparou a pergunta: - Então sr. Marcelo, o sr. matou o galo do seu vizinho?
Na sala alguns fotógrafos já haviam se posicionado, pois estavam ali à caça de furos de reportagens e fotos exclusivas. Ao ouvir a pergunta do delegado desistiram imediatamente de gastar inutilmente filme para fotografar o autor de transgressão tão banal.
Marcelo, sem notar o desinteresse dos papparazzi,de cabeça baixa, escondendo o rosto, respondeu em tom quase inaudível de vergonha:- Matei sim senhor...
- Com quê?
- Com sagú Dr..
- Ora que coisa vil... enganou o pobre animal, dando-lhe sagú envenenado...
- Não estava envenenado, não doutor.
- Não? E como ele morreu?
Depois de uma breve pausa, ainda cabisbaixo, Marcelo falou: - Atirei na cabeça dele!
O delegado parou imediatamente de futucar sob a unha, ergueu os olhos incontinenti na direção de Marcelo. Depois, olhou para os lados, olhou para o escrivão que deu com os ombros, e voltou a se dirigir para Marcelo que permanecia taciturno.
- Um saco de sagu? – Argüiu, tentando entender a ocorrência.
- Não, doutor... uns grãos.
- Uns grãos de Sagú? Puxa que força no braço...
Pela primeira vez Marcelo ergueu o rosto e olhou para o delegado, para esclarecer como de fato as coisas tinham acontecido.
- Não foi com o braço... foi um tiro de espingarda...
- De sagú?
- Sim senhor...
O delegado ficou olhando seriamente nos olhos de Marcelo por alguns segundos , depois ergueu as sobrancelhas, olhou para a sala de espera que contava com alguns meliantes, que aguardavam para serem interrogados, algemados à soldados da PM e falou:
- Carcereiro. Prenda esse homem.- depois, perguntou olhando os presentes - Quem deu queixa? .
Um homem se adiantou.
- Eu doutor.. sou o vizinho e... - o delegado interrompeu energicamente.
- Carcereiro prenda este também.- o carcereiro foi imediatamente empurrando o homem que saiu protestando e vociferando contra tudo e todos.
Marcelo olhava assustado enquanto o carcereiro trancafiava o dono da ave assassinada. O carcereiro voltou rapidamente, sob o olhar terrificado de Marcelo.
- Doutor... Eu quero um advogado! – exigiu, cônscio dos seus direitos de cidadão.
- Vá gozar da cara da sua vó! – Bota esse aqui na solitária, carcereiro... - dito isso o delegado olhou para fora e fez um sinal, chamando os PMs que traziam os meliantes algemados - O próximo, por favor...
Obs.: Qualquer semelhança com fatos reais,
não é mera coincidência.
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03:04 AM
FAZER O QUÊ?
- Tonho...
- Hum?
- Tá druminu?
- Tô não... quero vadiá, não, mulé.
- Tomem queru não... tô só falano..
Silêncio.
- Tonho...
- Hum?
- Sei não...
- Diga, minha santa...
- Num mi veio. Acho que tô prenhe.
- Outra veiz?
- I é.
- Caraio. Ocê num tomô as pilula?
- Tomei não.
- Pruquê?
- Cabô-se.
- E pru que num comprô?
- O dinhero tômem cabô-se.
- Ochi.. i agora, minha santa?
- Sei não.
- Vai tirá.
- Vô não. Se veio, Deus mandô.
- É... vai não. Se foi Deus... Dexele aí. Mai com ele agora vai sê cinco. Vardeci, Valdirene, Venânço e Varte.
- I essi daqui acuma vai chamá...
- Si fô macho podi chamá Vito...
- I se fô mulé? Vitóra. Pamó di comemorá as vitóra do Corintia.
- É memu. Só si fô.
Silêncio.
- Eu pensei que ocê ia ficá bravo.
- I fiquei.
- Ah!
- Mai agora co Lula nu pudê acho qui as coisa vão miorá, pra nóis que é piquininho. Prus trabalhadô. Adispois a gente ganha mais um salário familia. Ajuda. Pru falá em salário, vamo drumi qui amanhã é dia di trabaiá.
- I vamo.
- Boa noite.
- Boa noite.
Silêncio.
- Tonho!
- Hum?
- Sabe o que eu pensei agorinha memo?
- Sei não...
- Esse fio... ele pode sê presidente um dia...
- I é.
- Boa noite.
Beijo na testa.
- Boa noite.
Puxaram o lençol branco, cobriram-se e dormiram, para enfrentar um novo dia, amanhã.
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