FAZER O QUÊ?
- Tonho...
- Hum?
- Tá druminu?
- Tô não... quero vadiá, não, mulé.
- Tomem queru não... tô só falano..
Silêncio.
- Tonho...
- Hum?
- Sei não...
- Diga, minha santa...
- Num mi veio. Acho que tô prenhe.
- Outra veiz?
- I é.
- Caraio. Ocê num tomô as pilula?
- Tomei não.
- Pruquê?
- Cabô-se.
- E pru que num comprô?
- O dinhero tômem cabô-se.
- Ochi.. i agora, minha santa?
- Sei não.
- Vai tirá.
- Vô não. Se veio, Deus mandô.
- É... vai não. Se foi Deus... Dexele aí. Mai com ele agora vai sê cinco. Vardeci, Valdirene, Venânço e Varte.
- I essi daqui acuma vai chamá...
- Si fô macho podi chamá Vito...
- I se fô mulé? Vitóra. Pamó di comemorá as vitóra do Corintia.
- É memu. Só si fô.
Silêncio.
- Eu pensei que ocê ia ficá bravo.
- I fiquei.
- Ah!
- Mai agora co Lula nu pudê acho qui as coisa vão miorá, pra nóis que é piquininho. Prus trabalhadô. Adispois a gente ganha mais um salário familia. Ajuda. Pru falá em salário, vamo drumi qui amanhã é dia di trabaiá.
- I vamo.
- Boa noite.
- Boa noite.
Silêncio.
- Tonho!
- Hum?
- Sabe o que eu pensei agorinha memo?
- Sei não...
- Esse fio... ele pode sê presidente um dia...
- I é.
- Boa noite.
Beijo na testa.
- Boa noite.
Puxaram o lençol branco, cobriram-se e dormiram, para enfrentar um novo dia, amanhã.
© by Nelson Natalino - Janeiro 2004
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Postado por Nelson Natalino em janeiro 21, 2004 03:35 AM