Ele pediu para eu fazer um personagem que contracenasse com o judeu, interpretado pelo humorista Marcos Plonka. Criei o árabe, Salim Muchiba”, conta. Ellyas admirava vários humoristas da época, entre eles o palhaço Arrelia. Mas um era especial, cliente de seu pai, alfaiate. “Era um tal de Mazzaropi. Sempre que vinha até Catanduva ficava hospedado no hotel de minha avó”, conta emocionado. “Me deu todas as dicas de palco”, revela. Nenhum outro o inspirou e o ensinou tanto.
Ele diz que o humorista sofre muitos preconceitos dos atores convencionais. “O humor no Brasil é considerado terceira linha”, reclama. Ele explica que o humorista tem popularidade, mas não tem prestígio. “As pessoas assistem as telenovelas e se identificam com vários personagens, mas não são capazes de se identificar com um humorista”, expõe.
Ele fala aos alunos que querem seguir uma carreira humorística para desenvolverem sua criatividade. “Tem de ser criativo. Não basta ser intérprete”, aconselha. Segundo Ellyas, a carreira de humorista é a mais ingrata do meio. “É no seu exercício que se corre o maior risco de ficar desempregado”, explica o humorista. Ele censura as emissoras regionais. “Deveriam abrir espaço para os artistas da região. Ficam nessa de coluna social regional e não mostram os inúmeros talentos que existem por perto. Quanta gente sobreviveria trabalhando perto de suas próprias casas”?!!!
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