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  João Ellyas
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Salim Muchiba. Esse é o personagem que consagrou o humorista catanduvense João Ellyas que criou o personagem para atender ao pedido do humorista Chico Anysio.

“Minha relação com o Chico é primeiro de amizade e depois de gratidão”, reconhece. Foi Chico Anysio quem avalizou sua contratação com a Rede Globo de televisão. “Entregaram uma fita VHS do meu show para o Chico e, no outro dia, fui contratado.

Ele pediu para eu fazer um personagem que contracenasse com o judeu, interpretado pelo humorista Marcos Plonka. Criei o árabe, Salim Muchiba”, conta. Ellyas admirava vários humoristas da época, entre eles o palhaço Arrelia. Mas um era especial, cliente de seu pai, alfaiate. “Era um tal de Mazzaropi. Sempre que vinha até Catanduva ficava hospedado no hotel de minha avó”, conta emocionado. “Me deu todas as dicas de palco”, revela. Nenhum outro o inspirou e o ensinou tanto.

Ele diz que o humorista sofre muitos preconceitos dos atores convencionais. “O humor no Brasil é considerado terceira linha”, reclama. Ele explica que o humorista tem popularidade, mas não tem prestígio. “As pessoas assistem as telenovelas e se identificam com vários personagens, mas não são capazes de se identificar com um humorista”, expõe.

Ele fala aos alunos que querem seguir uma carreira humorística para desenvolverem sua criatividade. “Tem de ser criativo. Não basta ser intérprete”, aconselha. Segundo Ellyas, a carreira de humorista é a mais ingrata do meio. “É no seu exercício que se corre o maior risco de ficar desempregado”, explica o humorista. Ele censura as emissoras regionais. “Deveriam abrir espaço para os artistas da região. Ficam nessa de coluna social regional e não mostram os inúmeros talentos que existem por perto. Quanta gente sobreviveria trabalhando perto de suas próprias casas”?!!!